IA busca melhorar previsão climática ao rastrear quebra de icebergs
Cientistas britânicos anunciaram na quinta-feira (5) que desenvolveram uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial para acompanhar a deriva dos icebergs e potencialmente preencher uma lacuna na previsão das mudanças climáticas.
O grupo de estudos British Antarctic Survey (BAS) concebeu a ferramenta, que identifica e nomeia cada iceberg, permitindo acompanhar sua evolução desde o nascimento até o desaparecimento.
Até agora, os pesquisadores tinham dificuldade para acompanhar o destino dessas massas flutuantes de gelo, especialmente quando elas se desintegram em milhares de pedaços e derretem, o que pode afetar a navegação, assim como as correntes oceânicas e os ecossistemas.
A nova ferramenta se baseia em imagens de satélite para identificar a forma característica de cada bloco no momento em que ele se desprende de uma massa de gelo no mar — uma etapa chamada de desprendimento (ou parto do iceberg).
A IA permite então resolver um enorme quebra-cabeça, ligando cada fragmento ao iceberg "pai" original, reconstituindo uma espécie de árvore genealógica em uma escala inédita.
Essa técnica representa uma grande melhoria em relação ao método atual, no qual os cientistas acompanham manualmente essas evoluções com base em imagens de satélite, muitas vezes com dificuldade.
"Informações vitais"
A nova ferramenta, testada a partir de observações na Groenlândia, fornece "informações vitais" para os cientistas e permite melhorar as previsões sobre o clima futuro, destacou o BAS em um comunicado.
"Passamos de acompanhar alguns icebergs famosos para reconstruir árvores genealógicas inteiras", comentou Ben Evans, do BAS, citado no comunicado. "Pela primeira vez, podemos ver de onde vem cada fragmento, para onde ele vai e por que isso é importante para o clima", afirmou.
O uso da IA também poderá ser adaptado no futuro para ajudar na navegação de navios em áreas polares, onde a grande quantidade de icebergs representa um perigo.
O desprendimento de icebergs é um processo natural, mas os cientistas estimam que o ritmo com que ele ocorre atualmente na Antártica está aumentando, provavelmente em razão das mudanças climáticas de origem humana.
com AFP