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Sítio arqueológico perdido por 70 anos é reencontrado no Rio Grande do Sul

Sítio arqueológico perdido do período Permiano, de 260 milhões de anos, foi reencontrado em Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, por paleontólogos brasileiros

6 jul 2022 - 18h31
(atualizado às 21h25)
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Paleontólogos brasileiros reencontraram um sítio arqueológico perdido por 70 anos, no Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com o Uruguai, repleto de fósseis do período Permiano, cerca de 260 milhões de anos atrás. O local fica próximo da cidade de Dom Pedrito, em Cerro Chato, no centro da região da Campanha.

A primeira vez em que fósseis foram encontrados na região foi em 1951, durante um mapeamento geológico da Pampa gaúcha. Foram coletados e descritos restos preservados de animais e, principalmente, plantas ancestrais, mas o referenciamento geográfico não pôde ser feito devido a parcos recursos tecnológicos, o que levou à perda da localização do sítio fossilífero.

Foto: Ferraz et al./Paleontologia em Destaque / Canaltech

Reencontrando o sítio

Foi em 2019 que os pesquisadores conseguiram reaver o sítio arqueológico em questão, em um esforço conjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Vale do Taquari (Univates) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Segundo especialistas, a principal importância está nos estudos da evolução florística do Permiano, já que há inúmeras plantas preservadas no local, envolvendo o estudo de paleobotânicos.

As atividades de campo estão programadas para durar três anos, envolvendo pesquisadores de mestrado como Joseane Salau Ferraz, da Unipampa: ela afirma que ainda não exploramos nem 30% de todo o espaço disponível em Cerro Chato, sendo que o local já rendeu mais de 100 espécimes fósseis de plantas, como antepassados das samambaias e coníferas atuais, e ancestrais de peixes e moluscos.

Os fósseis de expedições anteriores estão expostos no Laboratório de Paleobiologia da Unipampa, em São Gabriel. Apenas a superfície do sítio havia sido prospectada, já que é feita de calcário grosso. À época, foi possível encontrar muitos exemplares porque o local já estava bem erodido.

Em 2021, mais uma exploração foi liderada com uma retroescavadeira à frente. A delicadeza dos fósseis preocupou alguns cientistas, mas os pesquisadores afirmam não haver danos aos espécimes depositados. A importância dos itens é mundial, segundo eles, já que nos informam acerca da distribuição das plantas do Permiano por todo o planeta, e dão informações sobre o clima da época.

O final do período Permiano viu a mais severa das extinções em massa do mundo, quando aproximadamente 90% da vida da Terra foi aniquilada por perturbações climáticas intensas. A exploração do sítio fossilífero teve o auxílio tanto da prefeitura de Dom Pedrito quanto dos proprietários da fazenda onde os fósseis se encontram.

Além da riqueza paleontológica dos estratos do Rio Grande do Sul, os pesquisadores ressaltam a importância da oportunidade de ampliar o acesso da comunidade ao conhecimento científico, além de fomentar o geoturismo regional: eles até mesmo afirmam que o local deve atrair atenção mundial, ao menos da comunidade científica.

Um artigo científico tratando da redescoberta do sítio paleontológico foi publicado na revista Paleontologia em Destaque, cuja opção de ser produzido em português tem o objetivo de deixar o texto acessível à população local. A equipe ainda trabalha em outros artigos detalhando as descobertas vindas de Cerro Chato, como a descrição de uma samambaia que é a primeira da Formação do Rio do Rastro.

Fonte: Paleontologia em Destaque, Univates, Unipampa

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