Os asteroides conseguem registrar o ambiente magnético no qual se formaram; graças um deles, estamos investigando como era o Sistema Solar há 4,6 bilhões de anos
As partículas do asteroide Ryugu conservam uma assinatura magnética dos primeiros momentos do Sistema Solar
Costumamos pensar na memória como algo ligado a lembranças que se desvanecem ou se transformam com o tempo. Mas existe outra forma de memória muito mais precisa e persistente, que não depende das pessoas nem da tecnologia e que, ainda assim, conserva informações com uma fidelidade extraordinária.
Algumas rochas são capazes de registrar o ambiente magnético no qual se formaram. É o que acontece com a poeira de um asteroide muito particular: pequenas partículas que conservaram, por bilhões de anos, um sinal magnético que hoje permite reconstruir como era o Sistema Solar em seus primeiros momentos.
Esse "registro" não é uma metáfora. Ele vem de partículas coletadas no asteroide Ryugu e trazidas à Terra em 2020 pela missão Hayabusa2, do Japão. Como aponta o EurekAlert, uma equipe liderada por Masahiko Sato analisou o comportamento magnético dessas amostras e encontrou sinais que indicam que elas preservaram informações do ambiente em que se formaram. Isso abre caminho para reconstruir como eram os campos magnéticos presentes no disco protoplanetário — ou seja, o "berçário" onde os planetas se formaram.
Uma marca que não se apaga
A chave está em como alguns minerais reagem ao campo magnético no momento em que se formam. Suas estruturas internas, compostas por pequenos domínios magnéticos, se orientam seguindo esse campo e ficam "bloqueadas" quando o material se solidifica. Esse processo deixa uma marca duradoura que os cientistas podem medir hoje com instrumentos de alta ...
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