Nasa divulga primeira imagem do lado oculto da Lua; veja como é
Missão Artemis II completou nesta segunda-feira a volta ao satélite natural da Terra, observando o hemisfério menos conhecido
A Nasa divulgou nesta segunda-feira, 6, a primeira imagem do lado oculto da Lua registrada pela missão Artemis II.
A foto mostra o satélite natural totalmente iluminado, com o lado visível (o hemisfério que vemos da Terra) à direita. À esquerda está o lado oculto, o hemisfério que não vemos da Terra porque a Lua gira em seu eixo na mesma velocidade em que orbita ao nosso redor.
O lado visível é identificável pelas manchas escuras que cobrem sua superfície. Essas manchas são antigos fluxos de lava de uma época no início da história da Lua, quando ela era vulcanicamente ativa.
Daqui da Terra, sempre que olhamos para a Lua vemos a mesma face do satélite. Isso acontece por conta de uma sincronia perfeita entre a rotação e a translação do corpo celeste. Por isso, é comum chamar o outro hemisfério, aquele que está sempre de costas para a Terra, de "lado oculto da Lua" - esse mesmo por onde os astronautas da Artemis II passaram nesta segunda-feira, 6.
A Lua leva cerca de 27 dias e meio para dar uma volta completa em torno da Terra - num movimento chamado de translação (ou revolução). Ela leva exatamente o mesmo tempo para realizar o movimento de rotação, ou seja, para girar sobre o seu próprio eixo. Como as duas voltas coincidem, o mesmo hemisfério lunar permanece sempre voltado para a Terra.
Algumas pessoas se referem, erroneamente, ao "lado oculto da Lua" como o "lado escuro da Lua". Na verdade, a face que fica oculta para nós, aqui na Terra, não deixa de receber luz solar. Assim como a Terra, a Lua sempre tem uma metade iluminada pelo Sol e outra não. Ou seja, o lado oculto passa pelo seu próprio ciclo de dia e noite, recebendo luz solar direta.
Quem já 'passeou' por lá
Além disso, a região lunar já foi parcialmente mapeada em algumas missões científicas. O hemisfério foi fotografado pela primeira vez pela sonda soviética Luna 3, em 1959. Os astronautas americanos da missão Apollo também passaram por lá. Em 2019, a China se tornou o primeiro país do mundo a pousar uma sonda nessa região da Lua.
Cinco anos depois, em 2024, uma nova missão chinesa voltou a pousar nessa região da Lua, mais precisamente na Bacia Aitken, considerada uma das maiores crateras de impacto do Sistema Solar. A nave chinesa conseguiu coletar amostras da face oculta e trazê-las para a Terra, numa missão que durou 53 dias. Simbolicamente, o país deixou para trás uma bandeira chinesa, a exemplo do que os americanos já tinham feito do outro lado do satélite.
Diferentemente do lado visível, que tem vastas planícies escuras (chamadas de mares), a face oculta é mais montanhosa, acidentada, e tem a crosta mais espessa. Estudar este lado menos conhecido da Lua é importante por vários motivos: ele pode oferecer pistas inéditas sobre a formação do próprio Sistema Solar e há um grande interesse em mapear os recursos minerais ali presentes.