A livraria de Tóquio que tem apenas um livro no catálogo
Essa livraria muda de catálogo toda semana. Literalmente: vende um único livro e vai revezando
Em um beco do distrito de Ginza, em Tóquio, uma pequena sala pintada de branco abriga aquela que poderia ser considerada a livraria mais radical do mundo. A Morioka Shoten, inaugurada em maio de 2015 por Yoshiyuki Morioka, inverte a lógica comercial do livro: enquanto a indústria editorial japonesa produz aproximadamente 80.000 novos títulos por ano, este estabelecimento vende apenas um, que é renovado a cada semana.
Não é performance. A Morioka Shoten é um negócio que funciona normalmente, vendendo múltiplos exemplares de uma única obra durante seis dias consecutivos. O interior é inusitadamente vazio para uma livraria (paredes de concreto, um móvel usado como balcão, um telefone com fio) e serve de tela para exposições inspiradas no livro da vez. É um pouco o oposto absoluto da Amazon: da oferta infinita ao minimalismo na escolha.
Cada título permanece em exibição exatamente seis dias, de terça a domingo, acompanhado de instalações artísticas, objetos ou fotografias relacionados ao seu conteúdo. O espaço funciona simultaneamente como galeria e ponto de venda. A localização do projeto reforça essa dimensão simbólica: o Edifício Suzuki, construído em 1929 e protegido como arquitetura histórica, abrigou entre os anos 1930 e o fim da Segunda Guerra Mundial os escritórios da Nippon Kobo, editora que produzia a revista Nippon, que muitos consideram fundadora da indústria editorial moderna japonesa.
A abertura da Morioka Shoten em 2015 ocorreu em um momento crítico para a ...
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