Volta às aulas: como o uso errado da mochila afeta a coluna

Saiba como o uso errado da mochila afeta a coluna de crianças e adolescentes. Aprenda a regra dos 10%, erros comuns e como prevenir dores nas costas

2 fev 2026 - 19h07

A volta às aulas é um momento de entusiasmo, mas também de alerta para a saúde física dos estudantes. O uso da mochila de forma inadequada é um dos principais vilões da postura na infância e adolescência, podendo causar danos que ecoam até a vida adulta.

Saiba como evitar problemas de postura devido uso errado da mochila
Saiba como evitar problemas de postura devido uso errado da mochila
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Entender como carregar o material escolar corretamente não é apenas uma questão de conforto. Trata-se de proteger uma estrutura óssea ainda em formação, garantindo que o crescimento ocorra sem compensações dolorosas ou desvios permanentes.

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Por que a coluna é tão vulnerável nesta fase?

Durante a infância e a adolescência, o esqueleto humano passa por um processo intenso de ossificação e crescimento. Nessa fase, as cartilagens são mais flexíveis e a musculatura ainda está se fortalecendo para dar suporte ao corpo.

Quando submetemos essa estrutura ao uso da mochila com carga excessiva, o corpo busca compensar o peso. Se a mochila está pesada demais para trás, a criança projeta o tronco para frente, sobrecarregando a região lombar e cervical.

Essa pressão constante nos discos intervertebrais e nas articulações pode gerar um estresse mecânico desnecessário. Como o hábito é diário e dura anos, o que começa como um leve desconforto pode evoluir para alterações posturais consolidadas.

Limite de peso

De acordo com especialistas em ortopedia, o peso total da mochila jamais deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança. Ou seja, se um aluno pesa 40 kg, sua mochila deve ter, no máximo, 4 kg.

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Ultrapassar esse limite gera uma força de compressão na coluna que altera o centro de gravidade. Além das dores musculares imediatas, o excesso de carga causa fadiga precoce, fazendo com que o estudante chegue em casa exausto e com má postura para realizar as tarefas.

Principais erros no uso da mochila

Muitas vezes, o problema não está apenas no que vai dentro da mochila, mas em como ela é ajustada ao corpo. Entre os erros mais frequentes observados nas escolas, destacam-se:

  • Uso em apenas um ombro: Isso causa uma inclinação lateral da coluna para compensar o peso, favorecendo desvios como a escoliose funcional.

  • Alças muito frouxas: Quando a mochila fica pendurada abaixo da linha da cintura, ela "puxa" os ombros para trás, forçando a lombar a se curvar excessivamente.

  • Falta de ajuste peitoral: Muitas mochilas possuem travas frontais que não são utilizadas, as quais ajudariam a distribuir o peso de forma mais uniforme.

  • Transporte de itens inúteis: Manter brinquedos, cadernos de dias anteriores ou garrafas de água cheias desnecessariamente eleva o peso sem benefício pedagógico.

Consequências para a saúde do estudante

O corpo dá sinais claros quando o uso da mochila está prejudicando a saúde. Ignorar esses sintomas pode levar a problemas crônicos. As principais consequências imediatas incluem:

Dores nas costas e nos ombros

A queixa mais comum é a dor muscular na região do trapézio e da lombar. A tensão acumulada ao longo da semana pode gerar pontos de gatilho (nódulos de dor) que dificultam a concentração em sala de aula.

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Desalinhamento postural

O hábito de carregar peso de um lado só ou se curvar para frente molda a postura. Com o tempo, a criança pode apresentar ombros caídos, cabeça projetada para frente ou aumento das curvaturas naturais da coluna (cifose e lordose).

Cansaço e desconforto ao caminhar

O esforço extra para equilibrar o material escolar consome energia. Isso pode tornar o trajeto até a escola ou o deslocamento entre as salas um fardo físico, gerando desânimo e irritação.

Como prevenir problemas e escolher o modelo ideal

A prevenção começa na escolha do equipamento e passa pela educação diária. Uma mochila adequada é um investimento na saúde preventiva do seu filho.

Escolha modelos ergonômicos

Ao comprar, priorize mochilas com alças largas e acolchoadas. O painel traseiro (que encosta nas costas) também deve ser acolchoado para evitar que objetos rígidos, como cantos de livros, pressionem a coluna.

Ajuste as alças corretamente

A base da mochila deve estar alinhada à curva da região lombar, nunca abaixo das nádegas. As alças devem estar justas o suficiente para que a mochila não balance enquanto a criança caminha, mas sem garrotear os ombros.

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Organize o conteúdo de forma estratégica

Coloque os livros mais pesados e maiores encostados na parte de trás da mochila (mais próximos ao corpo). Isso mantém o centro de gravidade estável e reduz a sensação de "puxão" para trás.

Incentive o uso nos dois ombros

Pode parecer "menos descolado" para alguns adolescentes, mas usar as duas alças é a única forma de garantir a simetria muscular. Explique que o esforço equilibrado evita dores e fadiga ao final do dia.

Quando as mochilas de rodinhas são indicadas?

As mochilas de rodinhas são excelentes alternativas para crianças menores ou para aquelas que precisam carregar muito material. No entanto, elas também exigem cuidados.

A alça do carrinho deve ter uma altura que permita que a criança caminhe com o braço esticado e as costas retas, sem precisar se inclinar para o lado. 

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Além disso, é importante alternar a mão que puxa o carrinho para evitar a sobrecarga em apenas um membro superior.

Papel dos pais e da escola

A conscientização é a ferramenta mais eficaz. Pais devem revisar a mochila semanalmente para retirar o que é desnecessário. Já as escolas podem colaborar oferecendo armários ou organizando o cronograma de aulas de forma que não exija todos os livros pesados no mesmo dia.

Observar a postura do seu filho enquanto ele caminha com a mochila é o primeiro passo. Se ele precisar inclinar o corpo para frente para suportar o peso ou se reclamar de formigamento nos braços, é sinal de que ajustes imediatos são necessários.

Pequenas mudanças no uso da mochila durante a volta às aulas podem fazer uma grande diferença. Proteger a coluna hoje é garantir que crianças e adolescentes tenham mais conforto e saúde para aproveitar cada fase do aprendizado sem a barreira da dor.

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