Pesquisadores espanhóis eliminaram tumores de pâncreas em camundongos usando uma combinação tripla de remédios, com eficácia duradoura e sem efeitos colaterais; terapia ainda não foi testada em humanos.
Um grupo de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) conseguiu eliminar de forma completa e permanente tumores pancreáticos em camundongos por meio de uma combinação tripla de medicamentos. Segundo o estudo, as células cancerígenas desapareceram entre três e quatro semanas.
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A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em dezembro de 2025, mas ganhou repercussão nesta semana. Para os autores, os resultados trazem esperança para o desenvolvimento de novas terapias contra a doença.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram os primeiros medicamentos direcionados a alvos moleculares do câncer de pâncreas, aprovados em 2021. Esses fármacos bloqueavam a ação do KRAS, um oncogene considerado o principal fator causador da doença. No entanto, a eficácia era considerada modesta, já que, após alguns meses, os tumores passavam a desenvolver resistência ao tratamento.
A estratégia desenvolvida pelo grupo foi utilizar medicamentos capazes de bloquear a via molecular do KRAS em três pontos diferentes, em vez de apenas um. Para isso, a equipe combinou um inibidor ainda disponível apenas para estudos experimentais, chamado daraxonrasib, um medicamento aprovado para determinados adenocarcinomas de pulmão, o afatinibe, e um degradador de proteínas conhecido como SD36.
O tratamento foi aplicado em três tipos de camundongos e, em todos eles, induziu uma “regressão significativa e duradoura dos tumores”, sem causar toxicidades relevantes, ou seja, sem efeitos colaterais importantes.
“Este estudo descreve uma terapia de combinação tripla que induz uma regressão robusta em modelos experimentais de adenocarcinoma ductal pancreático e previne o surgimento de resistência. Além disso, a combinação foi bem tolerada em camundongos”, afirmam os autores Mariano Barbacid, Vasiliki Liaki e Sara Barrambana.
Ainda não foi testado em humanos
Mariano Barbacid, chefe do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO, explica que, apesar dos resultados inéditos, ainda não é possível testar a terapia em humanos. “O caminho para otimizar a combinação tripla descrita aqui para uso em ambiente clínico não será fácil”, avalia.
“Apesar das limitações atuais, esses resultados podem abrir caminho para novas opções terapêuticas e melhorar o prognóstico clínico de pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático em um futuro não muito distante”, conclui o especialista.