Um estudo publicado na European Journal of Nutrition, que acompanhou quase 172 mil adultos por cerca de uma década, revelou que o alto consumo de ultraprocessados contendo corantes, aromatizantes e adoçantes eleva em até 49% o risco de desenvolver depressão. Embora não comprove causa direta, a pesquisa destaca que esses aditivos específicos tiveram forte associação com a doença, diferentemente de açúcares e óleos modificados, sugerindo impactos no metabolismo e na microbiota intestinal.
Você olha o rótulo de um alimento e encontra uma lista enorme de ingredientes. Aromatizantes, corantes e adoçantes aparecem com frequência, principalmente em produtos ultraprocessados. Mas será que esses componentes podem ter alguma relação com a saúde mental?
Uma nova pesquisa encontrou um sinal que chamou atenção. Quanto maior a exposição estimada a alimentos que continham esses ingredientes, maior foi o risco de desenvolver depressão ao longo do acompanhamento.
E a diferença não apareceu de forma igual entre todos os componentes dos ultraprocessados.
O que a pesquisa encontrou?
Para investigar a questão, pesquisadores analisaram dados de 171.818 adultos, acompanhados por uma média de 10,7 anos. Nesse período, 5.424 participantes desenvolveram depressão.
Em vez de considerar apenas a quantidade total de ultraprocessados consumida, a equipe avaliou diferentes categorias e componentes associados a esses produtos.
Os três grupos que mais chamaram atenção foram:
- Aromatizantes: maior exposição a alimentos que provavelmente continham esses componentes esteve associada a um risco 46% maior de depressão.
- Corantes: a associação chegou a um risco 49% maior entre aqueles com maior exposição.
- Adoçantes: o risco foi 45% maior entre os participantes com maior exposição a alimentos que provavelmente continham esses componentes.
Em outras palavras, a associação ficou mais forte conforme aumentava a presença desses componentes na alimentação.
Isso não quer dizer que esses ingredientes, sozinhos, provoquem depressão. O que a pesquisa encontrou foi uma relação entre maior presença desses componentes na alimentação e maior risco da doença.
O problema pode ser maior do que um único ingrediente
Os alimentos ultraprocessados reúnem diferentes componentes e características. Por isso, ainda não se sabe exatamente o que explica a relação observada com a depressão.
Alterações no metabolismo e na microbiota intestinal estão entre as possibilidades levantadas pelos pesquisadores, mas ainda são hipóteses que precisam ser confirmadas.
Os resultados também não foram iguais para todos os componentes avaliados.
Açúcares, óleos modificados, amidos modificados e realçadores de sabor, por exemplo, não apresentaram associação significativa com o risco de depressão.
Então é preciso parar de consumir ultraprocessados?
Os ultraprocessados já merecem atenção na alimentação por uma série de razões relacionadas à saúde. Mas esta pesquisa, especificamente, não permite concluir que seja preciso eliminar totalmente esses alimentos da dieta.
O que o estudo encontrou foi uma relação entre a maior presença de alimentos com aromatizantes, corantes e adoçantes na alimentação e um maior risco de depressão.
O resultado chama atenção porque essa associação não apareceu da mesma forma com todos os componentes avaliados.
O trabalho, publicado na European Journal of Nutrition, mostra que vale a pena investigar com mais cuidado quais características dos ultraprocessados podem estar relacionadas à saúde mental. Mas ainda são necessárias outras pesquisas para entender melhor essa relação.
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