Após alerta de Tadeu Schmidt sobre o vício em celular, o psiquiatra Tales Vilela reforçou que o perigo reside no controle que o aparelho exerce na rotina, afetando sono, estudos e relações. O risco é maior em jovens, cuja autorregulação emocional é prejudicada pelo excesso de telas. Sinais como irritabilidade e isolamento indicam a hora de buscar ajuda. A solução proposta envolve impor limites saudáveis, como refeições desconectadas e a prática de atividades físicas, além do bom exemplo dos pais.
Tadeu Schmidt chamou atenção nas redes sociais ao fazer um alerta sobre o uso excessivo do celular e a dificuldade que muitas pessoas enfrentam para se desconectar do aparelho. O tema ganhou ainda mais importância diante da presença constante das telas na rotina de adultos, crianças e adolescentes.
O assunto também é motivo de preocupação entre especialistas. O psiquiatra Dr. Tales Vilela, especialista em Psiquiatria Infantil, explica que o problema não está apenas no número de horas diante da tela, mas principalmente na relação que a pessoa passa a estabelecer com o aparelho.
"O uso excessivo do celular merece atenção porque não estamos falando apenas da quantidade de horas diante de uma tela, mas da relação que a pessoa estabelece com o aparelho e do espaço que ele começa a ocupar na vida. Um dos principais sinais de alerta aparece quando existe dificuldade real de interromper o uso, mesmo quando ele já está prejudicando o sono, os estudos, o trabalho, as relações familiares ou as atividades que antes davam prazer."
Segundo o especialista, o próprio funcionamento das plataformas pode estimular a repetição constante desse comportamento.
"As plataformas são construídas com estímulos constantes, notificações e recompensas rápidas, o que favorece a repetição do comportamento e pode tornar muito difícil simplesmente guardar o aparelho."
Crianças e adolescentes exigem atenção maior
Para Dr. Tales Vilela, os cuidados precisam ser ainda maiores durante a infância e a adolescência. Isso porque essa é uma fase marcada pelo desenvolvimento de habilidades sociais, hábitos e da capacidade de autorregulação.
"Em crianças e adolescentes, essa atenção precisa ser ainda maior, porque estamos falando de uma fase de desenvolvimento em que hábitos, capacidade de autorregulação e habilidades sociais ainda estão sendo construídos. Quando o celular passa a ocupar praticamente todos os momentos de tédio, frustração ou ansiedade, o jovem também perde oportunidades de aprender a lidar com essas emoções de outras maneiras."
Outro ponto destacado pelo psiquiatra é o impacto que o uso constante do celular pode provocar na hora do sono.
"Outro ponto importante é o sono. Usar o aparelho até tarde, permanecer conectado na cama ou acordar durante a madrugada para conferir mensagens e redes sociais pode comprometer a qualidade e a duração do descanso, com repercussões sobre humor, atenção, memória, rendimento escolar e saúde mental."
Especialista aponta formas de recuperar o equilíbrio
Apesar dos riscos, Dr. Tales Vilela ressalta que a solução não está em eliminar completamente o uso da tecnologia. O objetivo, segundo ele, é estabelecer limites e perceber quando o celular começa a controlar a nossa rotina.
"Isso não significa demonizar a tecnologia ou defender que crianças, adolescentes e adultos deixem de usar celular. A questão é estabelecer limites possíveis e observar se ainda existe controle sobre o comportamento."
Entre as medidas recomendadas estão refeições sem telas, horários definidos para interromper o uso à noite, convivência presencial e atividade física.
"Refeições sem telas, horários para encerrar o uso à noite, momentos de convivência presencial, atividade física e períodos em que o aparelho não esteja ao alcance imediato podem ajudar a reconstruir esse equilíbrio."
O especialista também chama atenção para o exemplo dentro de casa. Segundo ele, os adultos precisam observar os próprios hábitos antes de cobrar mudanças dos mais jovens.
"Os próprios adultos também precisam observar o exemplo que oferecem dentro de casa. Não adianta exigir que um adolescente largue o telefone enquanto os pais permanecem conectados durante todas as refeições e conversas."
Quando o uso do celular vira sinal de alerta?
Alguns comportamentos podem indicar que a relação com o aparelho ultrapassou um limite saudável. Irritabilidade intensa, isolamento, perda de interesse em outras atividades e prejuízo do sono estão entre os sinais apontados pelo psiquiatra.
"Quando há irritabilidade intensa ao ficar sem o aparelho, perda de interesse por outras atividades, isolamento, queda no desempenho, prejuízo importante do sono ou incapacidade persistente de reduzir o uso, é recomendável buscar avaliação profissional."
Por fim, Dr. Tales Vilela propõe uma reflexão simples para identificar quando o comportamento merece mais atenção.
"Mais do que contar horas de tela, precisamos perguntar: o celular continua sendo uma ferramenta na vida dessa pessoa ou já começou a controlar a rotina dela?"