Pancreatite aguda: os sintomas da doença associada ao uso de canetas emagrecedoras

10 fev 2026 - 16h28
Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras
Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras
Foto: Freepik

A Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância para ressaltar os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras, como Moujaro e Ozempic, entre outros medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, classe que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. 

Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição médica e acompanhamento de profissional habilitado.

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O monitoramento médico rigoroso é necessário devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais. Apesar do alerta, a Anvisa esclarece que não houve alteração na relação entre risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, quando usados de acordo com as indicações e modos de uso aprovados em bula, os benefícios terapêuticos continuam superando os possíveis efeitos adversos.

"A Sociedade Brasileira de Gastroenterologia ressalta que esse evento é incomum e que, na maioria dos casos, ocorre em pacientes que já possuem fatores de risco prévios. Entre eles estão obesidade, histórico de pancreatite, cálculos biliares, consumo excessivo de álcool e alterações metabólicas, como hipertrigliceridemia", diz Dr. Mauro Jacome, médico especialista em endoscopia, cirurgia e gastroenterologia.

Quais são os sintomas da pancreatite aguda?

A pancreatite aguda costuma se manifestar com dor abdominal difusa, localizada no andar superior do abdômen, em faixa, irradiada para as costas. A dor geralmente começa com intensidade leve e evolui, ao longo de minutos ou horas, para dor intensa, que não melhora com mudança de posição ou uso de analgésicos, sendo frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos.

Segundo informações obtidas no site oficial do Hospital Albert Einstein, os sinais clínicos podem incluir febre, desidratação, taquicardia, hipotensão arterial, dor à palpação abdominal, que pode variar de leve até sinais de irritação peritoneal, além de hematomas na região periumbilical e/ou nos flancos da parede abdominal.

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As complicações da pancreatite aguda podem ser locais ou sistêmicas. Entre as complicações locais estão coleções líquidas, necrose pancreática e infecções. "Nos quadros mais graves, especialmente em pacientes com obesidade, podem ocorrer insuficiência renal, complicações respiratórias, instabilidade hemodinâmica e infecções generalizadas", complementa.

Episódios recorrentes da doença podem evoluir para pancreatite crônica, levando à perda progressiva da função pancreática, com impacto direto na digestão e no controle glicêmico. "A identificação precoce e a suspensão do medicamento, quando indicada, são fundamentais para reduzir esses riscos", conclui o especialista.

Tratamento

O tratamento da pancreatite aguda baseia-se principalmente em suporte clínico, incluindo hidratação adequada, analgesia, controle de náuseas e vômitos, realimentação precoce e manejo das complicações sistêmicas quando presentes, como infecções, insuficiência respiratória, insuficiência renal, hipotensão arterial e distúrbios metabólicos.

A realização de procedimentos invasivos, incluindo intervenções cirúrgicas, é reservada para situações específicas, de acordo com a etiologia da doença — como nos casos de litíase biliar, que podem exigir colecistectomia — e na presença de complicações locais, como necrose, abscessos ou pseudocistos.

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