A Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância para ressaltar os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras, como Moujaro e Ozempic, entre outros medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, classe que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.
Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição médica e acompanhamento de profissional habilitado.
O monitoramento médico rigoroso é necessário devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais. Apesar do alerta, a Anvisa esclarece que não houve alteração na relação entre risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, quando usados de acordo com as indicações e modos de uso aprovados em bula, os benefícios terapêuticos continuam superando os possíveis efeitos adversos.
"A Sociedade Brasileira de Gastroenterologia ressalta que esse evento é incomum e que, na maioria dos casos, ocorre em pacientes que já possuem fatores de risco prévios. Entre eles estão obesidade, histórico de pancreatite, cálculos biliares, consumo excessivo de álcool e alterações metabólicas, como hipertrigliceridemia", diz Dr. Mauro Jacome, médico especialista em endoscopia, cirurgia e gastroenterologia.
Quais são os sintomas da pancreatite aguda?
A pancreatite aguda costuma se manifestar com dor abdominal difusa, localizada no andar superior do abdômen, em faixa, irradiada para as costas. A dor geralmente começa com intensidade leve e evolui, ao longo de minutos ou horas, para dor intensa, que não melhora com mudança de posição ou uso de analgésicos, sendo frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos.
Segundo informações obtidas no site oficial do Hospital Albert Einstein, os sinais clínicos podem incluir febre, desidratação, taquicardia, hipotensão arterial, dor à palpação abdominal, que pode variar de leve até sinais de irritação peritoneal, além de hematomas na região periumbilical e/ou nos flancos da parede abdominal.
As complicações da pancreatite aguda podem ser locais ou sistêmicas. Entre as complicações locais estão coleções líquidas, necrose pancreática e infecções. "Nos quadros mais graves, especialmente em pacientes com obesidade, podem ocorrer insuficiência renal, complicações respiratórias, instabilidade hemodinâmica e infecções generalizadas", complementa.
Episódios recorrentes da doença podem evoluir para pancreatite crônica, levando à perda progressiva da função pancreática, com impacto direto na digestão e no controle glicêmico. "A identificação precoce e a suspensão do medicamento, quando indicada, são fundamentais para reduzir esses riscos", conclui o especialista.
Tratamento
O tratamento da pancreatite aguda baseia-se principalmente em suporte clínico, incluindo hidratação adequada, analgesia, controle de náuseas e vômitos, realimentação precoce e manejo das complicações sistêmicas quando presentes, como infecções, insuficiência respiratória, insuficiência renal, hipotensão arterial e distúrbios metabólicos.
A realização de procedimentos invasivos, incluindo intervenções cirúrgicas, é reservada para situações específicas, de acordo com a etiologia da doença — como nos casos de litíase biliar, que podem exigir colecistectomia — e na presença de complicações locais, como necrose, abscessos ou pseudocistos.