Obesidade infantil no Brasil: como promover uma alimentação saudável

Em um país em que 1 em cada 3 crianças já apresenta excesso de peso, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer grande diferença na saúde e no futuro dos pequenos. Veja 5 cuidados que ajudam a mudar os hábitos das crianças, com foco em reeducação alimentar, rotina e acompanhamento profissional.

8 set 2026 - 19h34
Resumo
Com dados do Sisvan apontando que mais de 30% das crianças e adolescentes no Brasil têm excesso de peso, especialistas alertam que a solução não envolve dietas restritivas, mas sim reeducação alimentar e mudanças de hábitos. A abordagem deve focar na qualidade nutricional, reduzindo ultraprocessados e o tempo de telas para combater o sedentarismo. O envolvimento da família e o acompanhamento médico são vitais para ajustar a rotina com segurança, sem comprometer o desenvolvimento infantil.

Construir uma relação saudável com a comida começa nos primeiros anos de vida, mas o caminho pode ser mais desafiador quando a criança já enfrenta o excesso de peso. Especialistas reforçam que, nessa fase, o foco deve ser a reeducação alimentar e a mudança de comportamentos, sempre respeitando o crescimento e o desenvolvimento infantil.

Foto: Pixelshot
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Foto: Saúde em Dia

Cenário da obesidade infantil no Brasil

Os números alertam para a urgência do tema. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), divulgados em relatório do Governo Federal em 2026, mostram que, em 2025, 31% das crianças entre 5 e 10 anos acompanhadas apresentavam excesso de peso. Desses, 9,7% estavam classificadas com obesidade e 6% com obesidade grave. Entre os adolescentes acompanhados, o índice chegou a 35,4%.

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Outras fontes apontam cenários semelhantes. No Brasil, 33% das crianças e adolescentes estão com excesso de peso e 13% com obesidade, segundo dados do Sisvan. Em 2025, foram registradas mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade e quase 800 mil com obesidade grave na faixa de 0 a 9 anos.

Por que não adianta só "tirar comida"

O cuidado com o peso na infância não pode ser tratado como uma corrida pelo emagrecimento rápido. Segundo Edson Ramuth, médico e fundador da rede Emagrecentro, o objetivo não é colocar a criança em uma busca acelerada pela perda de peso, mas identificar o que pode ser ajustado na alimentação e no estilo de vida, sempre considerando as demandas nutricionais de cada faixa etária.

Restrições severas podem até prejudicar o crescimento e a formação de hábitos duradouros. A regra de ouro é priorizar alimentos in natura e minimamente processados, com horários regulares para refeições e menos distrações durante as refeições.

5 cuidados para transformar a rotina

1. Comece pela reeducação alimentar

Em vez de apenas retirar alimentos ou reduzir porções, a reeducação alimentar busca melhorar as escolhas e construir uma relação mais equilibrada com as refeições. A participação dos responsáveis também é fundamental, já que a organização do cardápio e os produtos disponíveis em casa influenciam esse aprendizado.

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"Não adianta pensar apenas no que deve ser proibido, é preciso trabalhar escolhas e entender como aquela família se alimenta. Quando os novos comportamentos também são adotados dentro de casa, fica mais fácil para os filhos incorporá-los", explica Ramuth.

2. Inclua alimentos ricos em vitaminas e minerais

Durante o emagrecimento, é importante manter alimentos que forneçam vitaminas e minerais necessários para o crescimento. Frutas, verduras, legumes, feijão, ovos, leite e derivados, por exemplo, podem fazer parte das refeições, de acordo com as necessidades de cada criança.

"Quando há muita restrição ou pouca variedade no prato, alguns nutrientes podem ficar de fora. Por isso, o foco não deve ser apenas comer menos, mas garantir uma alimentação variada e adequada para essa fase", orienta o médico.

3. Reduza o excesso de carboidratos simples

Alimentos ricos em açúcares e farinhas refinadas, como biscoitos recheados, doces, refrigerantes e alguns produtos ultraprocessados, podem aparecer com menos frequência na rotina. Na infância, não é indicado simplesmente retirar os carboidratos da alimentação; o cuidado está na quantidade e, principalmente, na qualidade das escolhas, sem comprometer os nutrientes e a energia necessários para o crescimento.

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4. Tenha acompanhamento profissional

Durante o emagrecimento, mudanças no apetite, na disposição ou dificuldade para seguir o plano podem indicar que a estratégia precisa ser revista. Por isso, manter retornos com profissionais de saúde ajuda a identificar esses sinais e fazer adaptações sem recorrer a restrições por conta própria.

"O acompanhamento permite corrigir a rota ao longo do tratamento; se algo não está funcionando, conseguimos entender a dificuldade e fazer os ajustes necessários sem colocar o crescimento e a saúde da criança em risco", avalia Ramuth.

5. Reduza o tempo de tela

Celular, televisão, tablet e videogame podem ampliar o período dedicado a comportamentos sedentários. Estabelecer limites para o uso dos dispositivos e abrir espaço para brincadeiras e outras práticas que envolvam movimento são formas de tornar a rotina mais ativa.

"A diminuição do tempo de tela pode acontecer aos poucos, com limites definidos pelos responsáveis e a inclusão de outras opções de lazer; o objetivo é combater o sedentarismo e incentivar práticas que façam sentido para a faixa etária", conclui o médico. Especialistas sugerem, como referência, até 2 horas diárias de tela para crianças, com regras claras e consistentes.

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Quando procurar ajuda médica

Converse com o pediatra ou um profissional de saúde quando houver ganho de peso acelerado na curva de crescimento, preocupação da família com alimentação ou imagem corporal, limitação para atividades habituais ou necessidade de orientação segura.

Avaliação também merece prioridade quando aparecem ronco intenso ou pausas respiratórias, cansaço desproporcional, dor nas articulações, sede e urina excessivas, dor de cabeça recorrente, alterações menstruais, sofrimento emocional, bullying ou episódios de comer com sensação de perda de controle.

Procure atendimento sem demora se a criança tiver dificuldade importante para respirar, desmaio, confusão, dor no peito ou outro sinal agudo de gravidade.

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