Novo remédio para enxaqueca: para quem é indicado e o que diz a especialista sobre crises

Novo remédio para enxaqueca é aprovado pela Anvisa. Veja quem poderá usar, como ele age e o que muda para quem sofre com crises.

8 set 2026 - 17h00
(atualizado às 17h01)
Resumo
A Anvisa aprovou o Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral voltado à prevenção da enxaqueca em adultos com ao menos quatro crises por mês. Diferente de analgésicos comuns, o remédio age bloqueando substâncias que deflagram a dor para reduzir a frequência dos episódios, que afetam principalmente as mulheres. A novidade combate o uso excessivo de remédios paliativos e exige prescrição médica, mas ainda não tem data de lançamento nem preço fixado no mercado brasileiro.

Quem vive com enxaqueca sabe que uma crise pode ir muito além de uma dor de cabeça. Há dias em que trabalhar, estudar ou até permanecer em um ambiente iluminado se torna difícil.

Novo remédio para enxaqueca / SaúdeLab
Novo remédio para enxaqueca / SaúdeLab
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

É nesse cenário que uma nova opção de prevenção acaba de ser aprovada no Brasil.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do Aquipta (atogepanto), medicamento oral voltado à prevenção da enxaqueca em adultos.

A indicação é para adultos com pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca. Isso não significa, porém, que o medicamento seja indicado automaticamente para todas essas pessoas. A escolha do tratamento depende da avaliação médica.

Como funciona o novo remédio para enxaqueca?

O atogepanto faz parte de uma classe de medicamentos chamada gepantos. Ele bloqueia uma substância envolvida no processo que provoca a crise de enxaqueca e a dor.

Mas há uma diferença importante: o Aquipta foi aprovado como medicamento preventivo.

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Ou seja, seu objetivo é reduzir a frequência das crises ao longo do tempo, e não simplesmente aliviar uma dor que já começou.

Nos estudos que avaliaram o medicamento, adultos com enxaqueca episódica ou crônica tiveram redução no número de dias com crises.

Entre os efeitos adversos mais frequentes estão náusea, constipação e fadiga, geralmente leves ou moderados.

Isso não significa que o medicamento seja indicado para qualquer pessoa com dor de cabeça.

A escolha do tratamento depende da frequência e das características das crises, além do histórico de cada paciente e da resposta a outros tratamentos.

Enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte

A enxaqueca é uma doença neurológica que provoca crises recorrentes de dor, geralmente moderada ou intensa. E a dor é apenas uma parte do problema.

Durante uma crise, a pessoa também pode apresentar:

  • náuseas ou vômitos;
  • forte sensibilidade à luz e ao som;
  • incômodo com cheiros e outros estímulos;
  • dificuldade para realizar atividades do dia a dia.

Para quem vê de fora, pode parecer apenas uma dor de cabeça muito forte. Para quem está passando pela crise, porém, até tarefas simples podem se tornar difíceis.

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A Dra. Thais Villa, neurologista e especialista em cefaleias, explica, em coluna publicada no SaúdeLab, que o impacto da doença vai muito além da dor:

"A enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça. Ela pode afetar profundamente a rotina, o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a qualidade de vida."

Por isso, enxaqueca não é frescura. Quando as crises são frequentes ou incapacitantes, é importante buscar avaliação médica em vez de simplesmente tentar suportá-las.

Por que a enxaqueca é mais comum em mulheres?

As mulheres são mais afetadas pela enxaqueca, e as oscilações hormonais ajudam a explicar parte dessa diferença.

Menstruação, gravidez, pós-parto e menopausa podem alterar a frequência ou a intensidade das crises.

Segundo a Dra. Thais Villa, o estrogênio influencia o funcionamento do cérebro e pode interferir na percepção da dor.

A enxaqueca também tem um importante componente hereditário.

Em pessoas predispostas, estresse, alterações no sono e outros fatores podem desencadear as crises. Mas os gatilhos não são iguais para todos.

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Como explica a especialista, "cada paciente pode perceber gatilhos diferentes".

Enxaqueca dá atestado médico?

Pode dar, sim. Uma crise de enxaqueca pode ser incapacitante a ponto de impedir temporariamente o trabalho.

Mas o atestado não é automático apenas porque a pessoa tem diagnóstico de enxaqueca.

A necessidade de afastamento e sua duração dependem da avaliação do profissional que atende o paciente e da gravidade dos sintomas naquele momento.

Se uma crise impede a pessoa de realizar suas atividades, a recomendação é procurar atendimento para a avaliação adequada, em vez de simplesmente tentar suportar a dor ou recorrer repetidamente à automedicação.

Tomar remédio demais também pode se tornar um problema

Quem tem crises frequentes pode acabar recorrendo cada vez mais aos medicamentos para aliviar a dor.

O uso excessivo pode contribuir para a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, dificultando o controle do problema.

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Quando isso acontece, é importante conversar com o médico sobre estratégias de prevenção. É nesse contexto que opções como o atogepanto podem ser consideradas.

Quando é hora de procurar ajuda?

Se a enxaqueca é frequente e atrapalha o trabalho, os estudos, o sono ou a vida social, vale buscar avaliação médica.

Uma dor nova e muito intensa, principalmente se surgir de forma súbita ou vier acompanhada de fraqueza, alteração na fala, confusão, desmaio ou perda importante da visão, exige atendimento imediato.

A enxaqueca pode ser controlada com tratamento adequado, embora não tenha cura definitiva. O atogepanto amplia as opções de prevenção, mas a escolha depende da avaliação de cada paciente.

Por enquanto, ainda não há data para o novo remédio para enxaqueca chegar às farmácias brasileiras, nem preço definido.

Fonte: SaúdeLAB
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