Anvisa libera estudo clínico da polilaminina, substância que pode ajudar na recuperação da lesão medular; entenda

Para comprovar a segurança do tratamento, cinco pacientes entre 18 e 72 anos deverão participar dos testes

6 jan 2026 - 04h59
Resumo
Anvisa autoriza a primeira fase de testes clínicos da polilaminina, substância estudada há 20 anos para regenerar lesões na medula espinhal, com cinco pacientes selecionados para avaliação de segurança do tratamento.
Operação de fiscalização de clínicas de estética foi iniciada pela Anvisa na última terça-feira
Operação de fiscalização de clínicas de estética foi iniciada pela Anvisa na última terça-feira
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Nesta segunda-feira, 5, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu uma notícia animadora para a área da saúde. O órgão anunciou a liberação da primeira fase de testes clínicos da polilaminina, uma substância experimental que promete ser capaz de auxiliar na regeneração de lesões da medula espinhal. Para comprovar a segurança do tratamento, cinco pacientes deverão participar dos testes.

Apesar de a liberação ter sido anunciada há pouco, a polilaminina não é desconhecida pelos cientistas brasileiros. Pelo contrário, a substância vem sendo estudada há mais de 20 anos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como um importante potencial aliado no tratamento das lesões de medula.

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O que é a polilaminina?

O nome pode ser difícil de pronunciar à primeira vista, mas entender de onde vem essa substância tão importante é mais fácil do que parece.

A polilaminina nada mais é que uma versão reorganizada em laboratório da laminina, uma glicoproteína que auxilia no desenvolvimento do sistema nervoso. Na formulação que entrará em fase de testes, será utilizada a substância extraída da placenta humana. 

A laminina faz parte da matriz extracelular e atua como uma espécie de "cola", conectando as células e auxiliando na formação de circuitos funcionais. Na vida adulta, no entanto, essa capacidade fica limitada, principalmente no sistema nervoso central.

Com o uso da glicoproteína, a polilaminina promete "reprogramar" essa conformação, permitindo que a laminina volte a atuar de maneira parecida às fases iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso. Segundo o estudo, isso ajudaria na reconexão neural e, possivelmente, recuperação de lesões de medula. 

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Anvisa libera estudo clínico da polilaminina, substância que pode ajudar na recuperação da lesão medular
Foto: Divulgação/Faperj

Como será a primeira fase?

Apenas cinco pacientes participarão da primeira fase de testes clínicos da polilaminina. Eles deverão ter idades entre 18 e 72 anos, e apresentarem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10. Essas lesões também devem ter ocorrido há menos de 72 horas e precisar ter indicação cirúrgica.

Aprovada nesta segunda, a etapa será administrada pelo laboratório patrocinador do estudo, que deve informar as atualizações à Anvisa. Segundo a agência, a substância deverá ser aplicada por solução injetável diluída, em administração intramedular única, diretamente na área lesionada. 

É nessa fase que será avaliado se a substância é realmente segura para uso em humanos. Serão avaliados riscos potenciais, quais medidas podem ser adotadas para minimizá-los e até mesmo se o estudo deverá seguir ou não. 

Só a partir dos resultados desta primeira fase é que será definido se os testes poderão avançar para as fases 2 e 3, que têm como objetivo avaliar a eficácia do tratamento em um número maior de pacientes.

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Anvisa
Foto: Divulgação

A polilaminina já foi aplicada em algum paciente antes?

A substância já foi administrada em alguns pacientes brasileiros em caráter experimental e fora de estudos clínicos formais, segundo informa o laboratório Cristália, que ainda destaca alguns cases importantes.

Um desses casos é o de Bruno Drummond, que sofreu um acidente de carro e ficou tetraplégico. Menos de 24 horas após o trauma, ele recebeu uma aplicação da polilaminina e conseguiu se recuperar completamente, sem sequelas, cinco meses após o ocorrido. 

Outro paciente citado pelo laboratório é Hawana Cruz Ribeiro, uma atleta paralímpica que ficou tetraplégica após uma queda. Após ser submetida ao tratamento, ela teria relatado a melhora parcial de 60% e 70% do controle do tronco, além do retorno de sensibilidade na bexiga.

Fonte: Portal Terra
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