Gripe K pode chegar mais cedo ao Brasil

Alerta da Opas aponta aumento global da influenza A (H3N2) e risco de antecipação da temporada de gripe no Brasil

3 jan 2026 - 11h36

O aumento da circulação global do vírus influenza acendeu um alerta entre as autoridades de saúde e pode antecipar a temporada de gripe nas Américas.

Gripe K pode chegar mais cedo ao Brasil
Gripe K pode chegar mais cedo ao Brasil
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a atividade do vírus cresceu nos últimos meses, com predominância da influenza A (H3N2). Esse cenário levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um aviso epidemiológico.

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Segundo a Opas, a gripe pode começar mais cedo em 2026 e causar maior impacto nos sistemas de saúde. O principal motivo é a antecipação da circulação do vírus no Hemisfério Norte, que historicamente influencia o surgimento de cepas no Hemisfério Sul alguns meses depois.

Desde agosto, a vigilância genômica global identificou a rápida disseminação de um subclado específico da influenza A (H3N2), conhecido como J.2.4.1, também chamado de subtipo K, já detectado em dezenas de países.

O que é o subtipo K da influenza A (H3N2)

A infectologista Juliana Barreto, do centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que o subtipo K é uma nova variante do vírus da gripe.

"Um subtipo que tem se mostrado mais presente em alguns países, temos que ter observação, porque estamos em época de confraternizações. Se por acaso ficar gripado, prestar atenção para não deixar chegar num caso de gravidade", alerta.

De acordo com a especialista, o maior risco está relacionado ao fato de que a possível antecipação da onda de gripe ocorre antes do início da campanha de vacinação.

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"Elas começam a ser aplicadas em fevereiro e março, com as cepas do ano de 2026. Então, a gente acaba pegando, às vezes, paciente com uma cepa nova sem ter a vacina dela", pontua.

Os grupos de risco seguem os mesmos: gestantes, idosos, crianças e pessoas imunossuprimidas.

Autoridades recomendam reforço da vigilância e vacinação

Diante do cenário, OMS e Opas reforçam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica, preparar os sistemas de saúde e aumentar a cobertura vacinal, especialmente entre os públicos mais vulneráveis.

O alerta se torna ainda mais relevante em períodos de viagens internacionais e migração intensa, quando a circulação viral tende a se intensificar.

Como se prevenir contra a gripe

Juliana Barreto destaca que medidas simples ainda são essenciais para reduzir o risco de infecção:

"Lavar bastante as mãos, porque às vezes está em um ambiente e passa a mão no nariz e boca. Se for tossir, colocar a mão na boca e depois higienizá-las. Se estiver num ambiente que muitas pessoas estão gripadas, abrir janelas ou portas, para deixar o ar em circulação, para o local poder ventilar. Evitar ir em ambientes em que as pessoas estão gripadas. Se tiver necessidade de ir a um hospital e tiver pessoas gripadas, use máscara".

Quando procurar atendimento médico

Em casos de sintomas mais intensos, é importante buscar ajuda médica rapidamente.

"Se tiver febre persistente e falta de ar, deve procurar atendimento médico, porque toda gripe viral, inclusive, pode evoluir para uma pneumonia", alerta.

A infectologista lembra que a influenza possui tratamento específico quando diagnosticada precocemente:

"Lembrando que para a influenza, em específico, a gente tem um antiviral, que é o Tamiflu. Então, se a gente diagnostica e inicia a medicação logo no começo dos sintomas, muitas vezes evitamos que evolua para um caso grave com internação", destaca.

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