A degeneração macular é uma condição ocular que atinge principalmente a região central da retina, conhecida como mácula, responsável pela visão de detalhes finos, leitura e reconhecimento de rostos. Esse problema costuma aparecer com mais frequência em pessoas acima dos 55 anos, podendo evoluir de forma lenta ou mais acelerada, dependendo do tipo. No entanto, trata-se de uma doença que não leva à perda total da visão. Porém, pode comprometer de maneira importante a qualidade da visão central.
Nos últimos anos, o tema passou a receber mais atenção após relatos de figuras públicas convivendo com a doença. Um caso amplamente divulgado é o da atriz britânica Judi Dench, que tornou pública a sua experiência com degeneração macular relacionada à idade, ajudando a chamar atenção para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico contínuo.
O que é degeneração macular e como ela afeta a visão?
A degeneração macular é um distúrbio que provoca desgaste, lesões ou alterações estruturais na mácula, região da retina responsável pela visão central nítida. Quando essa área é danificada, tarefas simples do dia a dia, como ler um livro, enxergar legendas na televisão ou perceber o rosto de alguém com clareza, tornam-se mais difíceis. Por outro lado, a visão periférica costuma permanecer preservada, o que permite que a pessoa continue a se orientar em ambientes, mas com grande prejuízo para detalhes.
Existem dois tipos principais: a forma seca (ou atrófica), mais comum e de progressão lenta, e a forma úmida (ou exsudativa), menos frequente, porém mais agressiva, pois envolve crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina. Esses vasos podem vazar líquido ou sangue, provocando distorções rápidas na visão e cicatrizes na mácula.
Quais são os sintomas da degeneração macular?
Os primeiros sinais da degeneração macular relacionada à idade costumam ser discretos, o que pode atrasar a procura por atendimento. Em muitas pessoas, o problema é percebido apenas em exames de rotina com o oftalmologista, principalmente nas fases iniciais. Assim, com a evolução, alguns sintomas passam a se destacar e interferir nas atividades cotidianas.
- Dificuldade para enxergar detalhes ao ler, costurar ou usar o celular;
- Mancha escura, embaçada ou "buraco" no centro do campo visual;
- Linhas retas parecendo onduladas ou tortas (metamorfopsia);
- Necessidade de mais luz para ler ou trabalhar de perto;
- Diminuição da percepção de cores e contraste;
- Dificuldade em reconhecer rostos mesmo a pequenas distâncias.
Em estágios mais avançados, a pessoa pode relatar que enxerga "melhor pelos lados" do que olhando diretamente para o objeto. Esse padrão é típico da degeneração macular, em que a visão periférica se mantém mais preservada, enquanto o centro fica prejudicado.
Quais são as causas e fatores de risco da degeneração macular?
A causa exata da degeneração macular ainda não está totalmente esclarecida, mas se sabe que há forte relação com o envelhecimento da retina e alterações nos vasos sanguíneos que nutrem a mácula. O componente genético também desempenha papel relevante, o que significa que pessoas com histórico familiar de degeneração macular têm maior probabilidade de desenvolver a doença.
Diversos fatores de risco vêm sendo apontados em estudos recentes. Entre os mais frequentemente associados estão:
- Idade acima de 55-60 anos, com aumento progressivo do risco com o passar dos anos;
- Histórico familiar da doença em parentes de primeiro grau;
- Tabagismo, que acelera danos oxidativos na retina;
- Hipertensão arterial e doenças cardiovasculares;
- Colesterol elevado e sobrepeso;
- Exposição prolongada e desprotegida à luz solar intensa;
- Dieta pobre em frutas, verduras e antioxidantes.
A combinação de fator genético e hábitos de vida pouco saudáveis parece aumentar ainda mais o risco, o que reforça a importância de acompanhamento médico regular, sobretudo em pessoas mais velhas.
Como é feito o diagnóstico da degeneração macular?
O diagnóstico da degeneração macular é realizado por meio de avaliação oftalmológica detalhada. O exame de fundo de olho permite ao especialista observar diretamente a retina e a mácula, identificando alterações como depósitos amarelados (drusas), áreas de atrofia ou vasos anormais. Em muitos casos, o médico solicita exames complementares para avaliar com precisão a extensão das lesões.
- Tomografia de coerência óptica (OCT): produz imagens em alta resolução da retina, mostrando camadas e possíveis acúmulos de líquido.
- Angiografia com fluoresceína ou verde de indocianina: ajuda a visualizar vasos sanguíneos anormais e vazamentos.
- Grade de Amsler: teste simples em que o paciente observa uma grade quadriculada para identificar distorções nas linhas.
Esses recursos permitem diferenciar a forma seca da úmida e acompanhar a evolução da doença, definindo a estratégia de tratamento mais adequada para cada caso.
Quais são os tratamentos disponíveis para degeneração macular?
O tratamento da degeneração macular depende do tipo e do estágio da doença. Na forma seca, o foco costuma ser retardar a progressão e preservar a visão restante. Na forma úmida, há terapias específicas voltadas a bloquear o crescimento de vasos anormais e reduzir o vazamento de líquido na mácula.
- Injeções intraoculares de antiangiogênicos: medicações aplicadas diretamente dentro do olho, em intervalos regulares, para controlar a forma úmida. São atualmente uma das principais abordagens.
- Suplementos vitamínicos: em casos selecionados, fórmulas com vitaminas C e E, zinco, cobre, luteína e zeaxantina podem ser recomendadas, conforme estudos internacionais.
- Ajustes no estilo de vida: abandono do cigarro, controle da pressão arterial, alimentação rica em vegetais verdes escuros, peixes e frutas, além de proteção ocular contra raios UV.
- Recursos de reabilitação visual: lupas, sistemas eletrônicos de ampliação, iluminação adequada e treino de uso da visão periférica ajudam a manter a autonomia.
Casos de pessoas conhecidas, como o de Judi Dench, ilustram que, com acompanhamento especializado, é possível adaptar a rotina, utilizar recursos de auxílio visual e seguir ativa profissionalmente mesmo convivendo com a doença. A detecção precoce e o seguimento regular com o oftalmologista continuam sendo elementos centrais para preservar a visão pelo maior tempo possível.