O Papa Leão XIV, de 71 anos, recebeu alta após remover com sucesso um tumor maligno no pulmão direito, descoberto em exames de rotina. Com recuperação surpreendente, ele chegou a ser flagrado arrumando cadeiras na capela do hospital apenas dois dias após a cirurgia. De volta ao Vaticano, o pontífice fará sua primeira aparição pública neste domingo e mantém confirmada sua viagem oficial à América do Sul em novembro, embora sua rotina de compromissos possa passar por adaptações temporárias.
O Papa Leão XIV recebeu alta hospitalar neste sábado (17), apenas quatro dias após ser submetido a uma cirurgia para remover um adenocarcinoma pulmonar, um tumor maligno descoberto no pulmão direito. Aos 71 anos, o líder da Igreja Católica deixou o Hospital Gemelli, em Roma, caminhando sem auxílio e demonstrando excelente estado de espírito ao conversar com fiéis na saída da unidade.
Nesse sentido, a recuperação rápida e a postura humilde do pontífice impressionaram a equipe médica. O diretor da Unidade de Cirurgia Torácica do hospital, professor Stefano Margaritora, revelou um momento inusitado e marcante ocorrido no segundo dia de pós-operatório, compartilhado no 'Jornal Nacional'
Ao entrarem na capela do hospital, os médicos flagraram o Papa organizando o espaço por conta própria. Mesmo orientando que deixasse a tarefa com a equipe, ouviram uma resposta simples: "Não faz mal, consigo fazê-lo e trato disso".
Descoberta casual e cirurgia sem complicações
A descoberta do tumor ocorreu de forma totalmente casual durante exames de rotina no abdômen, que acabaram revelando uma pequena mancha na base do pulmão direito. O pontífice não apresentava nenhum sintoma respiratório.
O procedimento cirúrgico, realizado no dia 13 de outubro, consistiu na remoção do lobo inferior do pulmão direito. Segundo os boletins de saúde divulgados pela Direção de Saúde e Higiene do Vaticano, o quadro evoluiu dentro da perfeita normalidade. "Diria que a cirurgia decorreu sem qualquer tipo de complicação, e é isso que sempre esperamos antes de qualquer cirurgia", explicou o profissional.
O cirurgião, que classificou Leão XIV como um paciente exemplar, ressaltou a importância dos exames preventivos em patologias assintomáticas. Além disso, expressou a emoção de liderar o procedimento. "Ter operado um Papa foi uma emoção íntima que nem consigo descrever", confessou, destacando que esta foi a primeira intervenção para um tumor maligno em um pontífice na história moderna.
Viagem à América Latina e próximos compromissos
Com os exames de sangue, função cardíaca e reexpansão pulmonar absolutamente satisfatórios, a equipe médica autorizou a alta e indicou que a recuperação total deve ocorrer em cerca de dez dias.
Por outro lado, a Santa Sé confirmou que os preparativos para a extensa viagem à América do Sul — agendada para ocorrer entre 6 e 17 de novembro — continuam mantidos. O roteiro prevê passagens por Uruguai, Argentina e Peru, país onde o pontífice atuou no passado como missionário e bispo. "Diria que não há motivos clínicos para que esta viagem não seja feita", declarou Stefano Margaritora.
Contudo, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, ponderou que o ritmo das atividades do Papa poderá passar por eventuais adaptações ao longo dos próximos meses, respeitando o ritmo de sua recuperação.
Em suma, Leão XIV já está de volta ao Vaticano e fará sua primeira aparição pública pós-cirurgia neste domingo (18), quando conduzirá a tradicional oração do Ângelus diretamente da janela do apartamento pontifício para os peregrinos na Praça de São Pedro.