A terapia CAR-T, utilizada para combater determinados tipos de linfoma, pode custar até R$ 4 milhões, considerando o medicamento e as despesas hospitalares. A tecnologia é uma alternativa para pacientes que não responderam a tratamentos convencionais. A doença ganhou atenção após a morte do cantor Netinho, nesta terça-feira, 13, aos 60 anos.
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O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin de células B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, segundo a equipe. Não há, porém, nenhuma informação de que o cantor tenha recebido a terapia CAR-T.
Segundo a hematologista Lisa Ricci, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), a terapia já é utilizada em pacientes com determinados linfomas, mieloma múltiplo e leucemia linfoide aguda que não responderam aos tratamentos anteriores ou apresentaram recaída.
O tratamento utiliza células de defesa do próprio paciente, chamadas linfócitos T, que são retiradas do sangue e modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e atacar células cancerígenas. Depois de multiplicadas, elas são introduzidas novamente no organismo.
"É como se a gente ensinasse o sistema imunológico a identificar e atacar as células cancerígenas", explica a médica.
A especialista ressalta que a CAR-T não funciona para todos os pacientes. A indicação depende das características do câncer, dos tratamentos anteriores e das condições clínicas de cada pessoa.
A tecnologia já possui medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não integra a oferta regular do Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma pesquisa brasileira divulgada em junho apresentou resultados preliminares de resposta ao tratamento em 87,5% dos pacientes com linfoma que haviam passado por outras terapias sem sucesso. O estudo é desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto (SP), em parceria com o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde. O percentual não representa uma taxa de cura.
Por que custa milhões?
Em junho, o Ministério da Saúde informou que uma terapia semelhante custava aproximadamente R$ 2,5 milhões na rede privada brasileira. Os valores variam conforme o produto utilizado e as despesas hospitalares.
O custo elevado está relacionado principalmente à produção individualizada. Diferentemente de medicamentos fabricados em larga escala, a terapia utiliza células coletadas de cada paciente.
"O principal motivo do alto custo é que estamos diante de um tratamento altamente personalizado", afirma Lisa. Segundo a hematologista, o procedimento exige tecnologia avançada, laboratórios especializados, profissionais capacitados e uma logística complexa. As células passam por modificação genética, multiplicação e testes de qualidade antes de serem aplicadas.
"Não é uma terapia que funciona para todos os pacientes ou para todos os tipos de câncer. A indicação depende das características da doença, dos tratamentos que já foram realizados e das condições clínicas do paciente", complementa.
Para reduzir os custos, o governo federal investe no desenvolvimento de versões nacionais da CAR-T. Em setembro, o Ministério da Saúde anunciou a criação de um laboratório no Ceará, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para produzir células destinadas ao tratamento.
Lisa afirma que a ampliação do acesso depende do fortalecimento das pesquisas brasileiras, da produção nacional para reduzir custos e da estruturação de centros especializados, com equipes capacitadas.
"Só assim poderemos ampliar o acesso ao CAR-T e tornar essa terapia uma realidade para os pacientes do SUS", disse.