Principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, o câncer de mama terá mais de 78 mil novos casos anuais até 2028, segundo o INCA. A atenção a sinais como nódulos, secreções ou alterações na pele é vital, pois o diagnóstico precoce amplia as chances de cura. O rastreamento inclui mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos e exames clínicos. Hábitos saudáveis reduzem riscos, e terapias como cirurgia e quimioterapia variam conforme o caso, exigindo avaliação médica imediata.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil e também a principal causa de morte por câncer nessa população, segundo o Ministério da Saúde.
De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028 no país.
"O câncer de mama é um tema que precisa estar na conversa de todos nós: estima-se que uma em cada oito mulheres desenvolverá a doença ao longo da vida. Por isso, informação e cuidado podem fazer diferença", afirma Sandra Cristina, profissional da área de oncologia no AmorSaúde.
Apesar da importância da informação, ainda existem dúvidas sobre os sintomas, os exames e as possibilidades de tratamento. Para esclarecer algumas das principais questões, a especialista explica o que as mulheres precisam saber sobre a doença.
Câncer de mama: 7 dúvidas frequentes
Muitas mulheres associam o câncer de mama apenas à presença de um nódulo. No entanto, existem outros sinais que merecem atenção. Conhecer essas alterações e saber quando procurar atendimento são medidas importantes para o diagnóstico precoce.
1. Quais são os primeiros sinais do câncer de mama?
Um nódulo na mama nem sempre significa câncer. Mesmo assim, o aparecimento de um caroço novo ou de alterações nas mamas precisa ser avaliado por um profissional de saúde.
Entre os sinais de alerta estão vermelhidão, inchaço, retração da pele, mudanças no formato do mamilo e alterações na textura da pele, que pode apresentar aspecto semelhante ao de uma casca de laranja. Secreção espontânea pelo mamilo, principalmente quando contém sangue, também exige avaliação.
Nem todas as pessoas apresentam sintomas no início da doença. Por isso, o acompanhamento médico e os exames de rastreamento, quando indicados, são importantes.
2. Quando procurar um médico?
A recomendação é buscar atendimento diante de qualquer alteração suspeita nas mamas, independentemente da idade. Não é necessário esperar que um nódulo cresça ou provoque dor para procurar avaliação.
A idade para iniciar a mamografia de rastreamento e a frequência do exame dependem das diretrizes adotadas e das características individuais. No Brasil, o INCA recomenda o rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Mulheres fora dessa faixa etária podem conversar com um profissional de saúde sobre os benefícios e os riscos do exame, considerando seu histórico pessoal e familiar.
3. Como é feita a investigação do câncer de mama?
A investigação começa com a avaliação clínica, que considera os sintomas, o histórico de saúde e as características das alterações identificadas.
De acordo com cada caso, o profissional pode solicitar exames de imagem e outros procedimentos. É importante não ignorar mudanças nas mamas nem tentar concluir um diagnóstico por conta própria.
A avaliação médica permite definir quais exames são necessários e quais devem ser os próximos passos.
4. Qual é o papel da mamografia, do ultrassom e da biópsia?
A mamografia é um exame de imagem que utiliza raios X para identificar alterações nas mamas. O ultrassom também pode ser indicado para complementar a investigação, conforme a idade, os sintomas e os achados clínicos.
Quando existe suspeita de câncer, pode ser necessária uma biópsia, procedimento no qual uma amostra de tecido é retirada para análise. É esse exame que permite confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer e obter informações importantes sobre as características do tumor.
A escolha dos procedimentos depende da avaliação médica.
5. Quais são os fatores de risco para o câncer de mama?
A idade é um dos principais fatores de risco para a doença. O histórico pessoal de câncer de mama e a presença de casos na família também merecem atenção, especialmente quando há vários parentes afetados ou diagnósticos em idades mais jovens.
Outros fatores incluem determinadas alterações genéticas, exposição hormonal ao longo da vida, sedentarismo, excesso de peso após a menopausa e consumo de bebidas alcoólicas.
Ter um ou mais fatores de risco não significa que a mulher desenvolverá câncer. Da mesma forma, a ausência de histórico familiar não elimina a possibilidade de diagnóstico.
6. Como é feito o tratamento do câncer de mama?
O tratamento varia conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições de saúde da paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias direcionadas.
Nem todas as mulheres precisam passar por todas essas etapas. A equipe médica define a estratégia mais adequada para cada caso e acompanha a resposta ao tratamento.
O cuidado também pode incluir apoio psicológico, orientação nutricional e outros serviços para ajudar a paciente a lidar com as mudanças físicas e emocionais durante esse período.
7. É possível prevenir o câncer de mama?
Não existe uma forma de eliminar completamente o risco de desenvolver câncer de mama. No entanto, alguns hábitos podem ajudar a reduzi-lo.
Praticar atividade física regularmente, evitar o sedentarismo, manter um peso saudável e não consumir bebidas alcoólicas são medidas associadas à redução do risco. Também é importante conhecer o histórico familiar e conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de acompanhamento individualizado.
Além disso, reconhecer alterações nas mamas e procurar atendimento sem demora contribui para a investigação oportuna da doença.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
Identificar o câncer de mama em estágios iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e aumentar as chances de sucesso. Por isso, é importante conhecer o próprio corpo, manter o acompanhamento de saúde e realizar os exames recomendados para cada situação.
Vale lembrar que o rastreamento é destinado a pessoas sem sintomas, enquanto alterações suspeitas exigem investigação diagnóstica. A mamografia não substitui a avaliação médica, e um resultado normal não deve ser motivo para ignorar mudanças que apareçam posteriormente.
Diante de um nódulo novo, alterações na pele ou no mamilo ou qualquer outra mudança persistente, procure um serviço de saúde. A informação e o acesso à avaliação adequada são fundamentais para o cuidado.