Bruna Marquezine aborda maternidade e planejamento reprodutivo aos 31 anos

Após Bruna Marquezine revelar o desejo de ter filhos aos 31 anos, especialistas explicam como a idade influencia a fertilidade e quando considerar o congelamento de óvulos

15 out 2026 - 17h30
Resumo
O desejo de Bruna Marquezine de ser mãe aos 31 anos destaca o debate sobre planejamento reprodutivo para quem quer adiar a maternidade. Especialistas explicam que a fertilidade e a qualidade dos óvulos caem com a idade, mas planejar não exige pressa ou congelamento imediato. A avaliação médica individual permite conhecer alternativas com antecedência, lembrando que a reprodução assistida amplia opções, mas não anula o relógio biológico nem dá garantias, garantindo autonomia para o futuro.

Bruna Marquezine quer ter filhos. Aos 31 anos, a atriz falou sobre o desejo de ser mãe e formar uma família, colocando em pauta uma questão que atravessa a vida de muitas mulheres de sua geração: é possível não querer engravidar agora, mas já começar a planejar uma maternidade que pode acontecer daqui a alguns anos?

Saiba mais sobre o relato de Bruna Marquezine e o desejo de ser mãe
Saiba mais sobre o relato de Bruna Marquezine e o desejo de ser mãe
Foto: Shutterstock / Alto Astral

O planejamento reprodutivo ajuda a esclarecer essa dúvida. A proposta não é marcar uma data para engravidar, muito menos decidir pelo congelamento de óvulos imediatamente. Para a ginecologista e obstetra Dra. Núbia Fontes, a conversa pode começar justamente antes de existir pressa.

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"Planejamento reprodutivo também significa dar informação para que a mulher possa tomar decisões sobre o próprio futuro. Muitas começam a pensar na fertilidade somente quando decidem engravidar, mas a idade dos óvulos é um fator importante. Conhecer isso com antecedência permite avaliar possibilidades sem transformar o assunto em uma corrida contra o tempo", explica.

Quando começar a planejar uma gravidez?

Não existe um aniversário que determine o início do planejamento reprodutivo. A fertilidade feminina, no entanto, muda progressivamente com a idade, principalmente em relação à quantidade e à qualidade dos óvulos. É por isso que os 35 anos aparecem com tanta frequência nessa conversa.

"Os 35 anos não funcionam como uma data de validade. O que existe é um processo biológico contínuo. De maneira geral, quanto mais jovem a mulher no momento do congelamento, maior tende a ser a qualidade dos óvulos preservados. Isso precisa ser explicado sem alarmismo, mas também sem esconder uma informação importante", afirma Núbia.

Para mulheres na faixa dos 30 anos que desejam ser mães, mas imaginam que a gravidez ainda demorará, uma consulta de planejamento pode ajudar a entender o cenário individual. Isso não significa que todas precisarão congelar óvulos.

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A Dra. Larissa Abib Daun, ginecologista e obstetra com área de atuação em Reprodução Assistida, explica que idade, histórico clínico, antecedentes familiares, reserva ovariana e projetos pessoais precisam ser analisados em conjunto.

"A fertilidade feminina não cai de um dia para o outro. Existe um processo progressivo, e a idade é um dos fatores mais importantes quando falamos sobre qualidade dos óvulos. Isso não significa criar pânico em mulheres jovens ou determinar quando alguém deve ser mãe. Significa oferecer informação para que ela consiga planejar sua vida reprodutiva com mais consciência", afirma Larissa.

Como a idade influencia a fertilidade feminina?

A idade é um dos fatores que influenciam as chances de engravidar. Com o passar dos anos, a quantidade de óvulos disponíveis diminui, e a proporção de óvulos com alterações cromossômicas aumenta. Essas mudanças podem afetar as chances de fecundação e de evolução da gestação.

Isso não significa que todas as mulheres terão a mesma experiência ou que engravidar depois dos 35 anos seja impossível. A fertilidade varia conforme fatores individuais, e a idade não é o único aspecto que deve ser considerado.

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Por isso, quem deseja ter filhos no futuro pode conversar com uma ginecologista ou especialista em reprodução assistida para compreender seu histórico e avaliar as opções disponíveis.

Congelar óvulos garante uma gravidez no futuro?

Não exatamente. O congelamento de óvulos é uma estratégia de preservação da fertilidade que permite armazenar óvulos coletados em determinada idade para uma possível utilização futura. Entretanto, o procedimento não garante uma gravidez.

"O congelamento de óvulos é uma estratégia de preservação da fertilidade, não uma promessa de gravidez. Ele pode ampliar as possibilidades reprodutivas daquela mulher mais adiante, mas o resultado depende de diversos fatores e não existe garantia de que cada óvulo congelado dará origem a uma gestação", esclarece Larissa.

A mulher também pode congelar seus óvulos e nunca utilizá-los, caso engravide espontaneamente no futuro. Para a especialista, o principal ganho está justamente em conhecer as possibilidades antes que o tempo torne determinadas decisões mais urgentes.

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A indicação do procedimento deve considerar as características e os planos de cada paciente. Uma avaliação médica ajuda a entender as etapas, os custos, as limitações e as chances de sucesso, sem criar expectativas de resultados garantidos.

É possível adiar a maternidade para depois dos 40 anos?

A reprodução assistida ampliou as possibilidades para quem deseja engravidar, mas não tornou o relógio biológico irrelevante. Esse é um ponto que, segundo a Dra. Bruna Manes, médica com atuação em saúde hormonal, precisa ser discutido com clareza.

"A reprodução assistida ampliou muito as possibilidades, mas precisamos tomar cuidado para que os avanços tecnológicos não criem uma sensação de que a fertilidade pode ser adiada indefinidamente. A mulher pode estar saudável, ativa e se sentir muito jovem aos 40 anos, mas biologicamente os ovários seguem outro ritmo", explica.

Mesmo ter ciclos menstruais regulares não significa que os óvulos mantenham as mesmas características de anos anteriores. Com o avanço da idade, aumenta também a proporção de óvulos com alterações cromossômicas, o que pode interferir nas chances de gravidez e de evolução da gestação.

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"Não existe uma data de aniversário em que todas as possibilidades desaparecem. Existem mulheres com histórias e respostas muito diferentes. O que não podemos fazer é vender exceções como regra. Quanto mais tarde acontece o planejamento reprodutivo, mais importante se torna conversar de maneira realista sobre probabilidades e alternativas", acrescenta Bruna.

Planejamento reprodutivo não significa decidir ser mãe agora

No fim, falar sobre fertilidade aos 30 não significa decidir que é hora de ser mãe. Pode significar justamente o contrário: ganhar informação para que uma escolha que pertence ao futuro não precise ser feita às pressas.

"Autonomia reprodutiva também é ter acesso à informação no momento certo. A mulher não precisa congelar óvulos porque chegou a determinada idade, assim como não deveria descobrir suas possibilidades apenas quando decide engravidar", finaliza Larissa Abib Daun.

O planejamento reprodutivo deve respeitar os desejos, as condições e o momento de cada mulher. Buscar orientação não significa assumir o compromisso de engravidar ou realizar um procedimento. É uma oportunidade de entender as possibilidades e tomar decisões com mais informação e autonomia.

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