Solidão com filtro: entenda o cibernarcisismo e a pressão por validação na web

Em livro sobre presença e propósito, pesquisadora Lygia Nyikos, analisa como a busca por curtidas afasta as pessoas da própria essência

15 out 2026 - 17h18
Resumo
Em seu livro, a pesquisadora Lygia Flaiano Nyikos analisa o cibernarcisismo, fenômeno em que a busca constante por validação online faz o indivíduo transformar a própria vida em produto. Essa obrigação de exibir felicidade e alta performance gera exaustão emocional e isolamento. Para resgatar a autenticidade e o bem-estar, a autora sugere pequenas desconexões no cotidiano, como fazer refeições sem o celular e viver experiências reais sem a necessidade de exibi-las nas redes sociais.

O cibernarcisismo se tornou um fenômeno central para compreender como a exposição constante no ambiente virtual transforma a percepção que temos sobre nós mesmos. Em seu livro 'Ser é a nova revolução', a pesquisadora e pós-graduanda em Neurociência, Lygia Flaiano Nyikos, analisa como a necessidade diária de curtidas e seguidores faz com que as pessoas confundam sua existência real com a imagem vitrinada que projetam.

Em livro sobre presença e propósito, pesquisadora Lygia Nyikos analisa como a busca por curtidas afasta as pessoas da própria essência
Em livro sobre presença e propósito, pesquisadora Lygia Nyikos analisa como a busca por curtidas afasta as pessoas da própria essência
Foto: cottonbro/Canva / Bons Fluidos

Ao transformar a rotina em uma sequência de conteúdos para aprovação pública, o indivíduo assume simultaneamente os papéis de produto, personagem e promotor da própria vida, condicionando seu valor pessoal à reatividade da plateia online.

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Os impactos do cibernarcisismo

Juntamente à dependência da aprovação alheia, a lógica das plataformas digitais estimula a edição da identidade como um feed estrategicamente organizado. Essa dinâmica alcança até mesmo a demonstração do bem-estar, onde a busca por momentos genuínos de satisfação dá lugar à obrigação de parecer produtivo, feliz e realizado o tempo todo. Segundo a autora, até mesmo o autocuidado e o descanso correm o risco de se transformar em tarefas de alto desempenho submetidas à comparação social, resultando em um estado de exaustão emocional e em um isolamento mascarado.

Caminhos para se desconectar das telas no dia a dia

A proposta da pesquisadora não consiste em abandonar totalmente a tecnologia, mas sim em construir uma relação mais consciente com as ferramentas interativas. Para interromper o impulso do cibernarcisismo e resgatar a autonomia sobre a própria identidade, pequenas mudanças de hábitos fazem toda a diferença na rotina.

Práticas, como fazer refeições ou tomar um café sem consultar o celular, ajudam a desconectar a mente da busca por notificações constantes. Da mesma forma, priorizar leituras em livros físicos, caminhadas e passatempos, deixando de lado a ideia de fotografar ou publicar, devolve o valor íntimo à experiência pessoal. Por fim, cultivar instantes de silêncio e reflexão imunes à interferência externa fortalece a autorregulação emocional e a escuta interna.

Sendo assim, descer da vitrine digital é um passo fundamental para reconhecer que a vida não precisa de exibição constante para ter sentido real. Redefinir os limites com o universo virtual permite recuperar a autenticidade e viver com mais propósito e verdade, mesmo quando ninguém está olhando.

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