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Psiquiatra alerta: a conta das noites mal dormidas pode chegar antes do que você imagina

Dormir bem vai muito além de descansar. Entenda por que a qualidade do sono influencia corpo, mente e saúde ao longo da vida.

12 jul 2026 - 20h00
(atualizado às 20h01)

Dormir bem é uma necessidade biológica fundamental para a saúde. No entanto, diante da agitação do dia a dia, muitas vezes colocamos o descanso em segundo plano, como se ele fosse um detalhe negociável da rotina.

Dormir bem / Canva
Dormir bem / Canva
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

A verdade é que o sono adequado, resultado do equilíbrio entre a quantidade de horas dormidas e a qualidade do descanso, está diretamente relacionado ao nosso bem-estar físico, mental e emocional.

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Grandes estudos realizados com milhões de participantes em diferentes países mostram que dormir entre sete e oito horas por noite é a duração mais favorável para a saúde na vida adulta.

Quando passamos a dormir menos de seis horas regularmente, os riscos para a saúde aumentam de forma significativa.

Mas não é apenas o tempo passado na cama que importa. A qualidade do sono, especialmente o chamado sono reparador, é igualmente essencial para a nossa sobrevivência.

O que acontece enquanto dormimos

O sono ocorre em ciclos e se divide em duas fases principais, que se alternam ao longo da noite. Grande parte desse período é composta pelo sono leve e pelo sono profundo. É justamente durante o descanso mais profundo que o cérebro realiza um intenso trabalho de restauração.

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Enquanto o sono profundo fortalece conexões neurais e consolida as memórias adquiridas ao longo do dia, outra fase do sono é responsável por integrar lembranças, processar emoções e refinar o aprendizado.

Juntas, essas etapas garantem a plasticidade cerebral, ou seja, a capacidade do cérebro de se adaptar, aprender e criar novas conexões.

Além disso, é durante o sono profundo e sem interrupções que o cérebro ativa o sistema glinfático, uma espécie de "faxina biológica" responsável por remover resíduos tóxicos acumulados durante o período em que permanecemos acordados.

Sem esse processo de limpeza e restauração, funções cerebrais essenciais ficam comprometidas.

Os efeitos da privação de sono

Os impactos de uma rotina que priva o organismo desse descanso adequado começam a ser percebidos já no dia seguinte.

Adultos que dormem cinco horas ou menos apresentam incidência significativamente maior de depressão, relatam mais dias com problemas de saúde física e mental e têm uma percepção mais negativa da própria saúde.

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No curto prazo, a privação de sono compromete funções cognitivas fundamentais, como atenção, vigilância, tomada de decisões e capacidade de julgamento.

Também prejudica funções executivas, aumenta a instabilidade emocional e favorece a irritabilidade.

No longo prazo, os efeitos podem ser ainda mais graves.

Dormir pouco está associado a um risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade.

As demandas do mundo contemporâneo transformaram profundamente nossos hábitos e contribuíram para noites cada vez mais curtas e mal dormidas.

Diversos aspectos do estilo de vida moderno favorecem a redução da quantidade e da qualidade do sono.

Trabalhadores em turnos alternados ou no período noturno estão entre os grupos mais afetados.

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Aproximadamente 27% desses profissionais preenchem critérios formais para transtornos do sono, embora praticamente todos experimentem os efeitos negativos da inversão do relógio biológico.

O resultado costuma ser um tempo reduzido de descanso, pior desempenho durante o dia, alterações frequentes de humor e distúrbios gastrointestinais.

Mesmo para quem não trabalha à noite, a rotina moderna traz desafios importantes. O uso diário da internet, por exemplo, prejudica o sono em todas as faixas etárias.

A luz emitida por computadores, tablets e smartphones, especialmente a chamada luz azul, reduz a capacidade de relaxamento e atrasa a liberação dos hormônios responsáveis por induzir o sono.

Somam-se a isso as longas jornadas de trabalho, as cobranças profissionais e os deslocamentos demorados nos grandes centros urbanos.

Cria-se um ciclo vicioso: a necessidade de acordar muito cedo se combina com tarefas que se estendem até tarde da noite, resultando em um descanso insuficiente e pouco eficiente.

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Como melhorar a qualidade do sono

Existem medidas simples capazes de ajudar a recuperar o sono reparador. Esses hábitos, conhecidos como higiene do sono, reduzem o tempo necessário para adormecer e melhoram a qualidade do descanso.

O primeiro passo é manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana. Essa consistência ajuda a regular o relógio biológico e favorece um sono mais estável.

Também é importante prestar atenção ao que consumimos. A cafeína deve ser evitada após o almoço, pois seus efeitos podem permanecer por seis horas ou mais, mantendo o organismo em estado de alerta.

O álcool, por sua vez, prejudica a arquitetura do sono, enquanto a nicotina atua como estimulante e dificulta o adormecimento.

A prática regular de atividade física durante o dia auxilia no controle do estresse e favorece o início do sono.

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A alimentação também merece atenção: o ideal é evitar refeições pesadas à noite e realizar um jantar leve entre uma hora e meia e duas horas antes de dormir.

O ambiente onde dormimos desempenha papel fundamental. O quarto deve ser escuro, silencioso e fresco.

As telas devem ser desligadas algum tempo antes de deitar, e o hábito de conferir constantemente as horas no relógio ou no celular durante a madrugada deve ser evitado, pois aumenta a ansiedade e prolonga o estado de vigília.

Proteger a quantidade e a qualidade do sono não é um luxo nem um capricho. É um investimento diário na saúde física, mental e emocional.

Dormir bem continua sendo um dos caminhos mais seguros para preservar o equilíbrio, a disposição e a longevidade ao longo da vida.

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Fonte: SaúdeLAB
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