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Primeiro aparelho tecnológico para tratar depressão em casa é lançado nos EUA

Primeiro dispositivo de estimulação cerebral para uso domiciliar aprovado nos Estados Unidos pode ampliar o acesso ao tratamento da depressão, mas exige prescrição e acompanhamento médico

23 jul 2026 - 17h34

Uma nova alternativa para o tratamento da depressão acaba de chegar ao mercado norte-americano e pode representar um avanço importante para quem convive com a doença. Pela primeira vez, a agência reguladora dos Estados Unidos (FDA, equivalente à Anvisa no país) autorizou a comercialização de um dispositivo de estimulação cerebral para uso domiciliar, desde que seja prescrito e acompanhado por um médico.

Um novo aparelho para tratar a depressão em casa acaba de chegar ao mercado norte
Um novo aparelho para tratar a depressão em casa acaba de chegar ao mercado norte
Foto: americano; saiba como ele funciona - Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Desenvolvido pela empresa Flow Neuroscience, o equipamento, chamado Flow FL-100, utiliza uma técnica conhecida como estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS). O objetivo é oferecer mais uma opção terapêutica para adultos com depressão moderada a grave. Ampliando, assim, o acesso ao tratamento sem que o paciente precise comparecer regularmente a clínicas especializadas. "Este é um passo monumental para os milhões de pessoas que convivem com a depressão", comemorou a Flow Neuroscience após a autorização.

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Como o aparelho atua no cérebro?

O dispositivo lembra uma faixa que é posicionada na cabeça e funciona em conjunto com um aplicativo de celular, ao qual se conecta via Bluetooth.

Durante as sessões, pequenos eletrodos liberam correntes elétricas de baixa intensidade em áreas específicas do cérebro relacionadas à regulação do humor. A proposta é estimular a comunicação entre os neurônios e favorecer o funcionamento de regiões que costumam apresentar alterações em pessoas com depressão. 

Por se tratar de uma técnica de neuromodulação não invasiva, o procedimento não provoca convulsões nem é doloroso. 

Estudos mostram melhora dos sintomas

A autorização do FDA baseou-se em um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado na revista científica Nature Medicine. Os resultados mostraram que, após dez semanas de tratamento, os participantes que utilizaram o aparelho tiveram uma redução mais expressiva dos sintomas depressivos em comparação com aqueles que receberam um dispositivo sem estimulação ativa.

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Além disso, os pesquisadores observaram índices mais elevados tanto de resposta ao tratamento quanto de remissão da depressão entre os usuários do equipamento.

Tecnologia mas não substitui outros tratamentos

Embora a novidade seja promissora, especialistas reforçam que a depressão é uma condição complexa e que não existe uma única abordagem capaz de atender a todos os pacientes.

Dependendo da avaliação clínica, o tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos antidepressivos, prática regular de atividade física, mudanças no estilo de vida e outras técnicas de neuromodulação. O novo dispositivo surge como mais uma possibilidade dentro desse conjunto de estratégias, e não como um substituto das terapias já existentes.

Outro ponto importante é que não indica-se o equipamento em todos os casos. Sua utilização ocorre somente após avaliação médica, que determina se a tecnologia combina com o perfil e as necessidades do paciente. A automedicação ou a escolha de um tratamento sem orientação profissional podem atrasar o diagnóstico adequado e comprometer os resultados.

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Uso em casa pode facilitar o acesso

Até então, os tratamentos de estimulação cerebral aprovados pela FDA realizavam-se apenas em hospitais ou clínicas. Com a liberação do Flow FL-100, pacientes elegíveis poderão realizar as sessões em casa, desde que mantenham acompanhamento médico durante todo o processo.

O aparelho foi autorizado para adultos com depressão moderada a grave que não apresentem resistência aos antidepressivos. Pode utilizar-se isoladamente ou em associação com outras formas de tratamento.

Nos estudos, os efeitos colaterais registrados foram, em sua maioria, leves e temporários, incluindo dor de cabeça, zumbido e irritação na pele na região dos eletrodos. O dispositivo já está sendo vendido nos Estados Unidos por valores entre US$ 500 e US$ 800, o equivalente a aproximadamente R$ 2.500 a R$ 4 mil, conforme a cotação atual. Ainda não há previsão para sua comercialização no Brasil.

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