A aproximação da primeira onda de frio de 2026 no Brasil, que deve derrubar temperaturas até a próxima quarta-feira, 13, acendeu um alerta para a vacinação contra a gripe. A temporada respiratória deste ano pode ser mais precoce e intensa do que o habitual, em meio à circulação simultânea do vírus Influenza e do vírus sincicial respiratório (VSR).
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
O cenário preocupa autoridades de saúde devido ao aumento de internações e da pressão sobre hospitais. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a circulação global da influenza vem aumentando desde outubro de 2025, com predominância da Influenza A (H3N2). Nas Américas, alguns países registraram início antecipado da temporada de gripe, principalmente entre crianças e idosos.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 26 estados já começaram a registrar aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Outro fator que elevou a preocupação foi a identificação do subclado K do vírus Influenza A (H3N2), detectado pela primeira vez no país em dezembro do ano passado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz.
Em meio ao avanço dos casos respiratórios e à chegada do frio, muitas dúvidas sobre a vacinação contra a gripe voltaram a circular entre a população. Especialistas esclarecem os principais questionamentos:
Posso tomar vacina já gripado?
Se a pessoa estiver com febre ou sintomas intensos, a recomendação é adiar a vacinação até melhora do quadro clínico.
A vacina da gripe causa gripe?
Não. O imunizante é produzido com vírus inativados e não provoca a doença. Segundo o Ministério da Saúde, algumas pessoas podem apresentar dor no local da aplicação ou febre baixa temporária.
Quem tomou vacina no ano passado precisa tomar de novo?
Sim. A vacina é atualizada anualmente porque o vírus sofre mutações frequentes e os anticorpos diminuem ao longo do tempo.
A vacina protege contra todas as variantes?
Os imunizantes são formulados para combater as cepas com maior circulação prevista no período. Mesmo quando há diferenças entre variantes, a vacina segue eficaz para prevenir casos graves e hospitalizações.
Pessoas imunossuprimidas podem se vacinar?
Sim, mas o ideal é que haja orientação médica para definir o melhor momento da imunização.
Além da vacina, o que ajuda a prevenir a gripe?
Lavar as mãos, manter ambientes ventilados, evitar contato com pessoas doentes e usar máscara em caso de sintomas respiratórios seguem entre as principais recomendações.
Segundo a médica e sanitarista, Melissa Palmieri, atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações – Regional São Paulo, fenômenos climáticos e mudanças no comportamento epidemiológico dos vírus ajudaram a antecipar a temporada respiratória. "Observamos uma quebra na sazonalidade clássica, com deslocamento da curva epidemiológica para o final do primeiro trimestre", explica ao Terra.
Ela afirma que isso impacta diretamente a estratégia de vacinação.
"Se o pico de circulação ocorre antes do início da vacinação, há grandes desafios para vencermos a circulação dos vírus, afinal leva-se de duas a três semanas para a produção adequada de anticorpos", diz.
Além da influenza, a circulação simultânea do VSR também preocupa especialistas. Segundo a médica, o cenário aumenta a ocupação de leitos pediátricos e geriátricos. "O risco de coinfecção aumenta a gravidade clínica e dificulta o diagnóstico diferencial inicial sem painéis moleculares, o que pode levar ao uso inadequado de antibióticos ou atraso na administração de antivirais", afirma.
Outro ponto de atenção é a percepção equivocada de que a gripe seria uma doença leve. "A gripe não é um resfriado comum. Os dados de vigilância mostram que a Influenza A é uma das principais causas de complicações cardiovasculares agudas, como infarto e AVC, em idosos nas semanas subsequentes à infecção", alerta a médica.
O que fazer se tiver sintomas de gripe
Mas se mesmo após tomar a vacina, os sintomas similares aos da gripe surgirem, o diretor da Divisão de Diagnósticos Rápidos da empresa de saúde Abbott para a América Latina, Oscar Guerra, destaca a importância de ir ao médico o mais rápido possível e fazer o teste.
"A medicação antiviral funciona melhor se for administrada até 48 horas após o início dos sintomas, portanto, o diagnóstico rápido e assertivo é fundamental para o tratamento adequado e a recuperação plena", afima Guerra.
A alimentação também contribui para combater os sintomas. A nutricionista e gerente científico da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil, Patrícia Ruffo, diz que “manter-se hidratado, dando preferência a líquidos como soro de hidratação oral, água, chás e sucos" é essencial para evitar complicações com a doença.
"Em situações em que os sintomas persistem, como a perda de apetite, o uso de um suplemento de nutrição oral pode ser indicado. Nesses casos, é recomendado o acompanhamento de um nutricionista ou médico”, conclui Patrícia.