Em tempos de ansiedade coletiva, excesso de estímulos e cobranças constantes, uma filosofia antiga voltou a ocupar espaço no debate público: o Estoicismo. Popular nas redes sociais e em livros de autoaperfeiçoamento, o pensamento estoico, no entanto, vai muito além de frases motivacionais. Nas obras e palestras da filósofa brasileira Lúcia Helena Galvão, o estoicismo aparece como uma ética de vida, centrada no autoconhecimento, na responsabilidade individual e na busca por sentido.
O que é o Estoicismo?
Fundada na Grécia Antiga, por Zenão de Cítio, a filosofia estoica foi desenvolvida por pensadores como Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio. Para os estoicos, a chave para uma vida boa não está no controle do mundo externo, mas na maneira como cada pessoa responde a ele. É justamente esse ponto que Lúcia Helena Galvão enfatiza: o estoicismo não promete eliminar o sofrimento, mas ensina a lidar com ele com lucidez e dignidade.
Segundo a filósofa, um dos princípios centrais do estoicismo é a distinção entre o que está sob nosso controle e o que não está. Emoções, pensamentos, escolhas e atitudes pertencem ao campo do possível; já acontecimentos externos, opiniões alheias e o acaso não dependem de nós. A maturidade, nesse contexto, nasce da capacidade de concentrar energia no que podemos transformar. Assim, evitamos o desgaste emocional com aquilo que foge à nossa ação.
Outro conceito recorrente nas obras de Lúcia Helena é a ideia de virtude como eixo da vida ética. Para o estoicismo, viver bem não significa viver confortavelmente, mas agir de acordo com valores como justiça, coragem, temperança e sabedoria. A felicidade, portanto, não é um estado emocional passageiro, e sim a consequência de uma vida coerente entre pensamento, palavra e ação.
Em síntese, o estoicismo, à luz das reflexões de Lúcia Helena Galvão, propõe uma pergunta simples e desconcertante: quem você escolhe ser diante do que a vida lhe apresenta? A resposta não está em promessas fáceis, mas no exercício diário da consciência, da ética e da responsabilidade sobre si mesmo. Filosofia antiga, problemas modernos — e uma lição que segue surpreendentemente atual.