A leptospirose é uma infecção grave. E costuma aparecer após períodos de chuvas intensas.
O problema é que, no início, ela se parece com doenças comuns. Gripe, virose e até dengue entram facilmente na lista de suspeitas.
Esse erro no reconhecimento pode atrasar o tratamento. E o atraso aumenta o risco de complicações sérias.
Em 2025, o estado de São Paulo registrou 364 casos confirmados da doença. O número é maior do que o observado em 2024.
Segundo infectologistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), o tempo é decisivo. As primeiras 48 horas após os sintomas fazem toda a diferença.
O que é leptospirose e como ocorre a infecção
A leptospirose é causada por uma bactéria presente na urina de animais infectados. Ratos são os principais transmissores.
Durante enchentes e alagamentos, a urina se mistura à água e à lama. O contato com esse ambiente permite a entrada da bactéria no organismo.
A infecção pode ocorrer por:
-
Pequenos cortes na pele
-
Mucosas
-
Contato prolongado com água contaminada
Por isso, períodos chuvosos aumentam o risco. Principalmente em áreas com acúmulo de lixo e esgoto.
Por que a leptospirose é tão confundida?
O principal desafio está nos sintomas iniciais. Em cerca de 90% dos casos, eles são genéricos.
- Febre alta.
- Dor de cabeça.
- Mal-estar intenso.
Esses sinais são comuns a várias infecções virais. E isso faz muita gente adiar a ida ao médico.
"O início da leptospirose é invisível", alertam especialistas do HSPE. O paciente acredita que é apenas uma gripe forte. Enquanto isso, a bactéria continua agindo no corpo.
O sintoma que merece atenção especial
Apesar de parecer comum, a leptospirose tem um sinal clássico. E ele costuma ser ignorado.
Segundo a infectologista Andrea Almeida, do HSPE, a dor muscular intensa é um alerta.
Principalmente nas panturrilhas, a chamada "batata da perna".
Essa dor costuma ser forte. E diferente da dor muscular comum.
Em um cenário onde dengue e gripe circulam ao mesmo tempo, esse detalhe importa. Ele pode ser decisivo para o diagnóstico correto.
Quando a doença se torna grave
Muitos pacientes só procuram atendimento quando os sintomas pioram. E isso é um risco.
Um dos sinais de agravamento é a icterícia. A coloração amarelada da pele e dos olhos.
Nesse estágio, a leptospirose já pode ter atingido órgãos vitais. Como rins, fígado, pulmões e até o sistema nervoso central.
As complicações incluem:
-
Insuficiência renal
-
Comprometimento hepático
-
Hemorragias
-
Dificuldade respiratória
Quanto mais tarde o diagnóstico, maior o risco.
As primeiras 48 horas fazem diferença
A leptospirose tem alta letalidade. Em 2025, quase 15% dos casos evoluíram para óbito.
Por isso, o tempo é um fator-chave. As primeiras 48 horas de sintomas são decisivas.
"O tratamento eficaz exige antibióticos específicos", explica a Dra. Andrea. Esses medicamentos só devem ser usados com orientação médica.
A automedicação pode piorar o quadro. Anti-inflamatórios, por exemplo, podem agravar lesões renais.
Em casos mais graves, pode ser necessário:
-
Internação hospitalar
-
Suporte respiratório
-
Terapia dialítica
Buscar ajuda cedo salva vidas.
Histórico de exposição é fundamental
Nem sempre o médico consegue suspeitar da leptospirose apenas pelos sintomas.
Por isso, o histórico do paciente é essencial.
Informe sempre se houve:
-
Contato com água de enchente
-
Contato com lama ou entulho
-
Trabalho em áreas alagadas
-
Limpeza de locais atingidos por chuvas
Esse detalhe direciona a investigação.
E acelera a realização de exames laboratoriais.
Em quanto tempo os sintomas aparecem?
O período de incubação varia bastante.Os sintomas podem surgir entre 1 e 30 dias após o contato.
Isso dificulta a associação imediata com a enchente. Muitas pessoas nem lembram da exposição.
Por isso, qualquer febre após esse tipo de contato deve ser avaliada. Mesmo que o episódio tenha ocorrido semanas antes.
Como se proteger da leptospirose
A prevenção ainda é a melhor estratégia. Especialmente em épocas de chuva intensa.
Algumas medidas importantes:
-
Evitar contato com água de enchentes
-
Usar botas e luvas ao limpar locais alagados
-
Não andar descalço em áreas com lama
-
Higienizar bem a pele após exposição
Em caso de feridas, o cuidado deve ser redobrado. A bactéria entra com facilidade por pequenos cortes.
Atenção aos sinais de alerta
Procure atendimento médico imediato se houver:
-
Febre alta súbita
-
Dor intensa nas panturrilhas
-
Dor de cabeça persistente
-
Mal-estar após contato com enchente
Não espere os sintomas passarem sozinhos. Na leptospirose, o tempo é determinante.
Identificar cedo pode evitar complicações graves. E garantir um tratamento mais simples e eficaz.