A agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), autorizou um novo medicamento para o tratamento da cinetose — o conhecido 'enjoo de movimento', comum em viagens de carro, avião ou barco. Batizado de tradipitante e comercializado como Nereus pela farmacêutica Vanda, o fármaco se torna o primeiro aprovado para essa condição em mais de 40 anos. Nada mal para um problema que derruba até marinheiro experiente.
Segundo Mihael Polymeropoulos, presidente e CEO da Vanda Pharmaceuticals, a decisão da FDA confirma a robustez dos dados científicos que sustentam a eficácia antiemética do medicamento. "Depois de mais de quatro décadas, os pacientes passam a contar com uma nova opção terapêutica baseada em avanços da neurofarmacologia, capaz de prevenir náuseas e vômitos sem as limitações dos tratamentos atuais", afirmou em nota.
Remédio para enjoo de movimento: quando chega no Brasil?
O Nereus deve chegar ao mercado norte-americano nos próximos meses. Trata-se de um antagonista oral do receptor de neurocinina-1 (NK-1), indicado especificamente para evitar vômitos provocados pelo movimento. Por enquanto, não há previsão de quando — ou se — o medicamento será submetido à aprovação no Brasil.
A eficácia foi avaliada em três estudos clínicos, dois deles realizados em embarcações. Entre os voluntários que receberam o tradipitante, a ocorrência de vômitos ficou entre 18,3% e 19,5%. Já nos grupos que tomaram placebo, os índices variaram de 37,7% a 44,3%. Assim, na prática, isso significa uma redução do risco que ultrapassa 50% e pode chegar a mais de 70%. Um alívio e tanto para quem sofre só de pensar na próxima viagem.
O que é a cinetose?
A cinetose é considerada um problema de saúde relevante devido à sua alta frequência e ao impacto funcional. Não por acaso, ganhou atenção estratégica em contextos militares. Por isso, durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os enjoos registrados na invasão da Normandia, em 1944, foram associados à perda de eficiência das tropas.
Atualmente, estima-se que entre 25% e 30% dos adultos apresentem enjoo de movimento em algum grau. Os sintomas surgem em meios de transporte comuns e, em escala global, até um terço da população é altamente sensível. No entanto, embora a maioria dos casos seja leve, cerca de 5% a 15% das pessoas sofrem com episódios intensos e recorrentes, que prejudicam a qualidade de vida e nem sempre respondem bem aos tratamentos disponíveis.
O quadro ocorre por um desencontro de informações entre o que os olhos veem e o que o sistema vestibular e sensorial percebe. Por fim, esse conflito leva à liberação da chamada substância P e à ativação dos receptores NK-1 no sistema nervoso central, desencadeando náuseas e vômitos. Assim, o Nereus age justamente nesse ponto, bloqueando esses receptores e interrompendo a cascata que causa o mal-estar.