Ser fã de algo ou alguém molda personalidades. É aquela vontade de respirar o mesmo ar que seu artista preferido, ouvir seu som ao vivo e, claro, saber todos os seus gostos e preferências para se sentir ainda mais íntimo dele ou dela. Quando o assunto é gastronomia, não é diferente.
Basta descobrir que seu ídolo almoçou, jantou ou deu uma passadinha rápida em algum estabelecimento para querer provar o sorvete oficial de Harry Styles ou a comida mexicana escolhida de Bad Bunny. Fotos e mais fotos recheiam as redes sociais com manchetes "Sabrina Carpenter foi vista jantando em restaurante do Itaim" ou "Bruno Mars faz brinde em boteco da Vila Madalena".
E os estabelecimentos, como ficam com toda essa fama fora da bolha? É isso que quisemos investigar.
Harry Styles e um pit-stop com pão de queijo e sorvete proteico
Preocupado com a saúde e com um estilo de vida bem ativo, Harry Styles teve a sua mais recente passagem por São Paulo marcada por passeios no parque e muita "bateção" de perna pela capital, inclusive com alguns beliscos aqui e ali.
A sócia da casa, Renata Paraiso, revelou que o cantor chegou discreto à loja e, a princípio, ninguém percebeu quem era. "Ele foi atendido como qualquer outro cliente e isso acabou tornando a experiência ainda mais especial. Quando descobriram, os funcionários ficaram muito felizes e surpresos."
Depois que a visita ganhou repercussão, foi percebido um aumento no movimento, "recebemos fãs, turistas e também clientes que ainda não conheciam a marca e aproveitaram a oportunidade para experimentar o nosso pão de queijo pela primeira vez", conta. O burburinho também tomou conta das redes e, para Paraiso, "foi interessante ver como esse momento despertou a curiosidade de um público que talvez ainda não conhecesse a nossa história".
A mesa cativa de Bruno Mars
Até a Ambev, parceira da casa, entrou na brincadeira. Dias depois da visita do cantor, chegou uma mesa personalizada para eternizar esse acontecimento. Hoje, é possível sentar na "Mesa do Bruninho" sempre que quiser - e estiver vaga, claro.
A comida italiana de Sabrina Carpenter
Pedro Silveira, CEO Grupo Alife Nino, conta que, depois de toda a repercussão, receberam clientes interessados em provar os mesmos pratos que a cantora e até mesmo tirar fotos da cadeira onde ela se sentou. "Também fomos procurados por influenciadores e criadores de conteúdo que quiseram reproduzir o menu da Sabrina."
Ele considerou toda a nova atenção muito positiva. "Além da visibilidade espontânea, percebemos um aumento no interesse de pessoas que já apreciam gastronomia e aproveitaram a oportunidade para conhecer o Giulietta. Também conseguimos apresentar a casa a um público mais jovem, que talvez ainda não conhecesse o restaurante. Tudo aconteceu de forma muito natural e sem impactar a operação ou a experiência dos demais clientes", afirma.
O tour gastronômico de Bad Bunny
Em sua passagem pelo Brasil este ano, Bad Bunny aproveitou para provar muitas delícias pela cidade. Quando chegou, ele já tinha uma meta: provar os temperos mexicanos de Luana Sabino e Eduardo Ortiz, no Metzi, onde provou pratos do menu-degustação.
A visita foi muito bem planejada, a equipe do cantor foi ao local observar e ficaram em um espaço reservado especialmente para ele. Sabino comemora essa visita por acreditar que tanto o restaurante quanto Bunny levantam a mesma bandeira em celebração à latino-américa.
"É um artista que admiramos muito, é muito receptivo, queria entender sobre o restaurante, gostou da energia e fez questão de tirar foto."
A repercussão foi muito sentida no primeiro mês, com a ida de pessoas "querendo provar o que o seu ídolo provou e saber como ele era". "Foi um marketing orgânico muito positivo, principalmente porque ele realmente escolheu o Metzi por nós levantarmos a mesma bandeira que ele, uma cozinha que preza por ingredientes locais e respeita muito o méxico. escolheu por a gente ter a mesma causa", conclui a chef.
Outro lugar que ele visitou foi o Dois Trópicos, um espaço que respira arte brasileira e serve comidas orgânicas. "As funcionárias ficaram super felizes e nervosas, mas ele foi muito simpático. E o mais lindo foi que os clientes o reconheceram e, quando ele estava indo embora, despediram-se com uma salva de palmas", compartilha o sócio Fernando Werney.
Depois disso, houve uma superlotação da casa por três meses, especialmente aos finais de semana. Com o público original de uma faixa etária de 25 a 50 anos, após a repercussão de Bad Bunny, a Dois Trópicos se viu recebendo um público mais jovem, entre 25 e 30 anos. "Também tivemos um grande aumento nas redes sociais, foram 8 mil novos seguidores no Instagram em apenas dois dias."
Werney considerou a repercussão muito positiva, mas com ressalvas. "Furamos algumas bolhas e recebemos um público bem alinhado com o que a casa oferece. A única parte negativa é que recebemos mais pessoas do que conseguimos atender, o movimento triplicou e, como somos uma casa pequena, trabalhamos com uma fila de espera muito alta, muitos não tiveram paciência pra esperar, e a loja ficou meio caótica."
Quando perguntado do porquê de o cantor ter escolhido a casa, disse já terem montado uma bela teoria. "Ele chegou no meio da tarde e veio comer doces. Experimentou cinco tipos diferentes, repetiu o pudim de chia três vezes. Então, acreditamos que alguém tenha recomendado as nossas sobremesas para ele, afinal, nossa chef é uma confeiteira. Além disso, a nossa loja de cultura brasileira também deve ter sido um chamariz", conclui.