20% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite; entenda os riscos

Cerca de 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite e 31,7% têm sintomas de insônia; especialistas explicam por que o problema cresce

6 fev 2026 - 20h05

O Brasil acaba de ganhar um retrato inédito sobre como anda o sono da população adulta - e os números não são tranquilizadores. Pela primeira vez, o Vigitel 2025, sistema do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco e proteção nas capitais, incluiu perguntas específicas sobre descanso noturno. O resultado acende um alerta: 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam pelo menos um sintoma de insônia, com impacto maior entre mulheres.

Estudo revela que 20,2% dos brasileiros dormem menos de 6 horas e 31,7% têm sintomas de insônia; entenda impactos na saúde
Estudo revela que 20,2% dos brasileiros dormem menos de 6 horas e 31,7% têm sintomas de insônia; entenda impactos na saúde
Foto: Reprodução: Canva/GoodLifeStudio / Bons Fluidos

O cenário não aparece sozinho. Ele caminha junto com um crescimento expressivo das doenças crônicas não transmissíveis nas últimas décadas - como diabetes, hipertensão e obesidade - e reforça a necessidade de olhar para o sono como parte essencial da saúde pública.

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Menos sono, mais riscos: o que os dados mostram

Entre 2006 e 2024, o levantamento aponta uma escalada importante em indicadores que já preocupam médicos e pesquisadores. A prevalência de diabetes entre adultos subiu de 5,5% para 12,9% (aumento superior a 100%), a hipertensão aumentou e a obesidade mais que dobrou. O excesso de peso também avançou, atingindo grande parte da população.

Quando o sono entra nessa equação, o alerta fica ainda mais forte. Pessoas que dormem pouco e mal afetam energia, humor, foco, imunidade e também o metabolismo - e isso pode contribuir para o agravamento de quadros como pressão alta, resistência à insulina e ganho de peso.

Quem dorme menos? E onde isso pesa mais?

Os dados do Vigitel indicam que a duração curta do sono (menos de seis horas) é mais frequente entre idosos e aparece com taxas maiores entre mulheres com menor escolaridade. Em algumas capitais, o percentual fica perto de 1 em cada 5 adultos - com variações importantes entre cidades. A insônia também é um ponto central: quase um terço dos adultos nas capitais relata algum sintoma, com prevalência mais alta no público feminino.

Dormir mal mexe com o corpo todo

A privação de sono costuma aparecer no dia seguinte como cansaço, dor de cabeça, irritabilidade, queda de atenção e aumento de ansiedade. E muitas vezes a insônia surge em períodos de maior pressão emocional, criando um ciclo difícil: as pessoas ficam estressadas, dormem mal, e o sono ruim aumenta ainda mais o estresse.

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Higiene do sono: pequenos hábitos que fazem diferença

Para melhorar o descanso, psicólogos recomendam medidas simples de "higiene do sono", que ajudam o cérebro a sair do modo alerta:

  • Reduzir ou desligar telas (celular, TV) com antecedência;
  • Diminuir as luzes da casa no período da noite;
  • Manter o ambiente silencioso e confortável;
  • Investigar fatores que atrapalham o sono, como apneia;
  • Buscar ajuda profissional quando o problema é frequente;
  • Incluir atividades prazerosas e exercícios físicos na rotina;
  • Apoiar o sono com alimentação mais equilibrada.

Um movimento para frear doenças crônicas

Diante do conjunto de indicadores, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, com investimento anunciado de R$ 340 milhões para ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas. Entre as medidas, está a retomada e ampliação do programa Academia da Saúde, fortalecendo iniciativas no SUS voltadas à atividade física, alimentação saudável e cuidado integral.

No fim das contas, o recado do Vigitel é claro: cuidar do sono não é luxo - é estratégia de saúde. E quanto antes ele entrar na rotina como prioridade, maior a chance de prevenir adoecimentos que hoje crescem no país.

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