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Cientistas descobrem ação do açaí contra a depressão em cérebros de jovens

Estudo mostra que o consumo regular de uma das frutas mais populares do Brasil traz benefícios profundos para a saúde mental dos jovens.

8 jun 2026 - 09h06

Um novo estudo científico comprovou o efeito neuroprotetor do açaí no cérebro de indivíduos na fase da adolescência. A pesquisa avaliou os impactos do alimento e identificou propriedades capazes de combater sintomas de ansiedade e depressão.

Um novo estudo científico comprovou o efeito neuroprotetor do açaí no cérebro de indivíduos na fase da adolescência
Um novo estudo científico comprovou o efeito neuroprotetor do açaí no cérebro de indivíduos na fase da adolescência
Foto: Canva / Bons Fluidos

O trabalho investigou os efeitos em organismos com idades equivalentes ao período entre 10 e 18 anos. Essa fase humana é marcada por intensa maturação cerebral e alta sensibilidade ao estresse.

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Nesse sentido, os cientistas já conhecem o açaí por suas funções anti-inflamatórias, antioxidantes e cardioprotetoras.

Açaí

O fruto amazônico possui uma grande quantidade de compostos fenólicos. As antocianinas ganham destaque nesse grupo de substâncias funcionais. Elas dão a cor roxa característica da fruta e respondem por grande parte dos seus benefícios médicos. Nas comunidades ribeirinhas do Pará, os moradores consomem o alimento desde a infância e relatam uma constante sensação de relaxamento. Essa sabedoria popular motivou a realização da nova pesquisa acadêmica.

A investigação nasceu de uma parceria entre especialistas locais e internacionais. O cientista belga Hervé Rogez coordena o Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia na Universidade Federal do Pará (UFPA). Ele liderou o desenvolvimento de um suco de açaí clarificado para os testes laboratoriais. Esse produto biotecnológico passa por processos de centrifugação e microfiltração da polpa. O método inovador isola os polifenóis e retira as fibras, proteínas e gorduras do fruto. Assim, os pesquisadores conseguem associar os resultados finais diretamente aos compostos fenólicos da fruta.

Testes comportamentais e redução da ansiedade

Por outro lado, a doutoranda Taiana Simas conduziu os experimentos práticos sob a orientação dos laboratórios da universidade. A equipe aplicou doses diárias de suco clarificado de açaí em ratos adolescentes durante dez dias. Os cientistas calcularam a quantidade exata para simular o consumo médio de 500 ml diários feito pelas populações ribeirinhas. Logo após o período de ingestão, os animais passaram por uma bateria de testes padronizados para análise de comportamento e memória.

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O estudo demonstrou que a introdução do açaí na rotina não alterou a locomoção dos animais. Contudo, a substância induziu um claro comportamento ansiolítico nos testes de campo aberto e de labirinto em cruz elevado. Os voluntários que consumiram o suco exploraram muito mais as áreas abertas e centrais dos equipamentos. Esse tipo de reação indica uma diminuição significativa no índice de ansiedade e no medo de novos ambientes.

Da mesma forma, o alimento demonstrou um potente efeito do tipo antidepressivo. Esse dado apareceu no teste de nado forçado, onde os animais que consumiram a bebida reduziram o tempo de imobilidade e aumentaram os movimentos de fuga. Os exames neurológicos confirmaram que o açaí gerou uma forte resposta antioxidante no córtex pré-frontal, uma área do cérebro fundamental para o controle das emoções e para a tomada de decisões.

Proteção celular contra o desgaste do tempo

Os pesquisadores também avaliaram a diminuição do estresse oxidativo no Sistema Nervoso Central dos animais. O consumo do suco aumentou a atividade da enzima glutationa peroxidase. Essa barreira natural protege as células cerebrais contra os danos causados no DNA e nas proteínas. Na região da amígdala, o fruto reduziu os danos celulares de forma expressiva. No hipocampo, o alimento elevou a presença da enzima catalase, reforçando as defesas biológicas da região.

Em suma, a pesquisa comprova que a suplementação de açaí atua diretamente na capacidade neuroprotetora de organismos em fase de neurodesenvolvimento. Os autores do projeto lembram que o estudo possui limitações normais, pois a análise ainda se encontra na fase de testes com animais. A equipe precisa de novos exames para descobrir todas as vias moleculares que causam o alívio do estresse. Apesar disso, os resultados se mostram promissores e trazem uma validação científica valiosa para o conhecimento tradicional dos povos da Amazônia.

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