Estudos apontam maior risco de pensamentos e tentativas de suicídio entre pessoas com autismo e TDAH. Essa vulnerabilidade decorre de barreiras sociais, isolamento, preconceito, frustrações e impulsividade, que afetam a autoestima. No contexto do Setembro Amarelo, ressalta-se a urgência de uma escuta atenta, contínua e sem julgamentos, capaz de identificar sinais de sofrimento camuflados por mudanças de comportamento e acolher essas pessoas além de rótulos superficiais.
Falar sobre prevenção ao suicídio é falar sobre escuta. É entender que nem sempre quem está sofrendo consegue dizer claramente o que sente e que, muitas vezes, os sinais aparecem de formas que confundimos com irritação, isolamento, cansaço ou simplesmente "uma fase difícil".
O Setembro Amarelo nos convida a quebrar esse silêncio. E também nos lembra que algumas pessoas podem estar mais vulneráveis e precisam ser compreendidas dentro de suas próprias experiências.
Autismo e o risco de suicídio
Um exemplo são as pessoas autistas. Uma revisão de 36 estudos, publicada em 2023 na revista Molecular Autism, reuniu dados de mais de 48 mil pessoas e encontrou uma frequência importante de pensamentos suicidas, planos e tentativas entre participantes autistas sem deficiência intelectual.
Por trás desses números, existem experiências que podem pesar ao longo da vida: preconceito, sensação de não pertencimento, isolamento e o esforço constante para esconder características pessoais para tentar se encaixar.
Não é o autismo, isoladamente, que determina esse risco. São também as barreiras e sofrimentos que podem acompanhar essa trajetória.
TDAH também exige atenção
O mesmo cuidado precisa existir quando falamos sobre TDAH.
Uma revisão que analisou 57 estudos, publicada em 2019 na Neuroscience & Biobehavioral Reviews, encontrou uma associação significativa entre TDAH e pensamentos, planos e tentativas de suicídio.
Isso pode estar relacionado, entre outros fatores, a experiências repetidas de frustração, rejeição, conflitos e dificuldades para controlar impulsos e emoções.
Depois de anos ouvindo que é "desatento", "preguiçoso", "desorganizado" ou que "não se esforça", a autoestima também pode ser profundamente afetada.
Esses dados não significam que toda pessoa autista ou com TDAH esteja em risco. Significam que precisamos olhar para essas pessoas com mais atenção e, principalmente, sem julgamentos.
Mudanças importantes de comportamento, isolamento, desesperança ou falas relacionadas à morte merecem ser levadas a sério.
Perguntar "você está bem?" pode parecer simples, mas estar realmente disposto a ouvir a resposta pode fazer diferença.
Prevenção não acontece apenas em setembro. Ela começa quando criamos relações nas quais pedir ajuda não é motivo de vergonha.
Neste Setembro Amarelo, talvez o nosso maior desafio seja justamente esse: olhar além do comportamento e tentar enxergar a pessoa que existe por trás dele.
Porque ouvir também é uma forma de cuidar.
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