Pesquisadores descobriram que diferentes alterações genéticas ligadas ao autismo afetam as mesmas proteínas nas células cerebrais. Ao mapear 100 genes e mais de 1.800 conexões proteicas, o estudo publicado na Science indica que a ciência poderá focar nesses alvos biológicos comuns, em vez de criar terapias individuais para cada mutação. Embora não traga tratamentos imediatos nem mude diagnósticos atuais, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento futuro de medicamentos mais abrangentes e eficazes.
Quando o autismo está relacionado a uma alteração genética, uma dúvida pode surgir. Será que cada alteração exige um tratamento diferente?
Uma nova descoberta indica que talvez não. Pesquisadores descobriram que alterações diferentes no DNA podem acabar afetando as mesmas proteínas dentro das células do cérebro.
Isso abre uma possibilidade para o futuro. Em vez de criar um tratamento para cada alteração genética, os cientistas poderão tentar agir sobre os problemas que elas têm em comum.
Tratamento para autismo: o que foi descoberto?
Imagine que duas alterações diferentes possam causar problemas na mesma parte de uma máquina. É parecido com o que os pesquisadores encontraram dentro das células.
Os genes são partes do DNA que dão instruções para o corpo. Essas instruções ajudam as células a produzir proteínas, que fazem diferentes trabalhos no organismo.
O que a pesquisa mostrou é que uma alteração em um gene pode afetar uma proteína e outra alteração, em um gene diferente, pode afetar essa mesma proteína.
Ou seja, o começo do problema pode ser diferente, mas o ponto afetado pode ser o mesmo.
Para descobrir isso, os pesquisadores analisaram 100 genes relacionados ao autismo e mais de 1.800 conexões entre proteínas.
Esse mapa ajudou a identificar os pontos que aparecem em diferentes alterações genéticas e que podem, no futuro, ser estudados como possíveis alvos de tratamento.
E o que isso muda para quem tem autismo?
Hoje, praticamente nada muda no tratamento.
A descoberta não cria um novo medicamento, não substitui acompanhamento médico e não muda o diagnóstico do autismo.
O que pode mudar é a maneira como os cientistas procuram novos tratamentos.
Se alterações genéticas diferentes provocam problemas semelhantes dentro das células, talvez seja possível criar um medicamento que corrija esse problema comum.
Assim, não seria necessário desenvolver uma terapia completamente diferente para cada alteração.
Essa possibilidade pode ser especialmente importante para pessoas com formas de autismo associadas a alterações genéticas raras.
Quando isso pode virar tratamento?
Ainda não é possível dizer. O estudo, publicado na revista Science, mostra onde os cientistas podem procurar, mas encontrar um possível alvo para um medicamento é apenas o começo.
Antes de chegar aos pacientes, uma nova terapia precisa passar por várias etapas para verificar se funciona e se é segura.
Por isso, a principal importância da descoberta está no futuro.
Ela não traz uma solução imediata para o autismo, mas pode ajudar a ciência a sair da pergunta "qual gene está alterado?" e avançar para outra, mais útil para o tratamento: "o que essa alteração está fazendo dentro do cérebro e como podemos corrigir isso?"
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