Embora a poluição marinha seja comumente associada a sacolas e canudos, a Grande Mancha de Lixo do Pacífico apresenta uma dinâmica diferente. Longe de ser uma ilha sólida, ela é composta por microplásticos e detritos retidos pelas correntes do Giro Subtropical do Pacífico Norte. Nessas águas, o plástico flutuante é fragmentado pela ação solar ao longo dos anos sem desaparecer, desafiando a percepção tradicional sobre a origem e o comportamento dos resíduos acumulados no oceano aberto.
Por décadas, a imagem popular da poluição oceânica concentrou-se em sacolas de supermercado, garrafas, copos plásticos e canudos descartados em terra firme que acabam chegando ao mar. Em escala global, essa imagem tem um fundo de verdade considerável: rios e áreas costeiras continuam sendo as principais vias de entrada de plástico nos oceanos.
O problema surge quando pesquisadores buscam esses detritos em uma das maiores concentrações de lixo marinho do planeta; lá, deparam-se com um cenário bem diferente.
A armadilha oceânica
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico não é a ilha gigantesca e sólida de plástico que o nome sugere. Na realidade, ela é composta por vastas quantidades de microplásticos misturados a objetos maiores, tudo isso distribuído pelas águas do Pacífico Norte, entre a América do Norte e o Japão.
Quatro grandes correntes formam o Giro Subtropical do Pacífico Norte — um sistema de circulação que abrange cerca de 20 milhões de quilômetros quadrados — e empurram os detritos flutuantes em direção a regiões relativamente estáveis, onde podem ficar retidos por anos.
Um objeto que entra nesse circuito pode percorrer uma grande extensão do oceano enquanto o sol o fragmenta progressivamente em pedaços menores, embora isso não faça o plástico desaparecer por completo.
6.000 objetos
Durante uma expedição realizada em 2019, a organização The Ocean Cleanup e cientistas da Universidade de Wageningen coletaram mais de 6.000 objetos de plástico rígido com tamanho superior a cinco ...
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