Inaugurada em 1989 no Amazonas, a hidrelétrica de Balbina causou um grave desastre ambiental. Para gerar modestos 250 MW, a usina inundou 2.360 km² de floresta plana no rio Uatumã, submergindo mais de 160 milhões de árvores e formando milhares de ilhas isoladas. Com uma perda florestal por megawatt 35 vezes superior à de Tucuruí, o projeto transformou a rica biodiversidade local em um vasto cemitério ecológico, evidenciando a ineficiência energética e os danos causados à região.
Em 1981, em meio à estratégia brasileira de grandes projetos de infraestrutura para desenvolver a Amazônia, teve início a construção da usina hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã, ao norte de Manaus.
O enchimento do reservatório começou em 1987, e a usina foi inaugurada em 1989 com uma capacidade instalada de 250 MW. Para alcançar essa potência, foi necessária a criação de um lago com cerca de 2.360 km² — uma área maior do que a ilha de Tenerife.
Uma questão de escala
O problema estava na própria geografia: um rio relativamente pequeno que corria por um terreno extraordinariamente plano significava que vastas extensões de terra precisavam ser inundadas para gerar uma quantidade comparativamente modesta de energia hidrelétrica.
De fato, um estudo comparativo publicado em 2018 resumiu isso com uma estatística contundente: Balbina sacrificou 35 vezes mais floresta por megawatt de capacidade instalada do que a usina de Tucuruí, também na Amazônia.
250 MW e um cemitério de árvores
Quando o rio Uatumã foi represado, a água se espalhou lateralmente pela floresta tropical, submergindo milhões de árvores — algumas estimativas sugerem mais de 160 milhões. Antigos pontos mais elevados transformaram-se em milhares de ilhas (um estudo contabilizou 3.546), e essa fragmentação foi, inicialmente, até vista como um possível benefício ambiental: ilhas de floresta que sobreviveriam, cercadas pelo reservatório.
Ocorreu o oposto. Pesquisas posteriores revelaram que muitos desses fragmentos eram ...
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