Primeiros navios-tanque atravessam estreito após acordo com Irã; ataques israelenses geram dúvidas no Líbano

18 jun 2026 - 08h38

Três petroleiros ‌com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, poucas horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um acordo com o Irã para pôr fim à guerra que tem prejudicado o abastecimento global de energia.

Mas no Líbano, onde mais de um milhão de pessoas estão deslocadas devido aos combates, as forças israelenses lançaram novos ataques aéreos na ⁠manhã de quinta-feira, levantando dúvidas sobre até onde Trump irá para forçar seus aliados de guerra a ‌interromper uma ofensiva que ele agora se comprometeu a encerrar.

Publicidade

Trump assinou na quarta-feira o "memorando de entendimento" para encerrar a guerra, assim como o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fazendo com que o acordo ‌entrasse em vigor dois dias antes do previsto. O acordo prevê ‌a abertura imediata do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio dos EUA aos ⁠portos iranianos.

Embora as empresas de transporte marítimo afirmem que ainda levará algum tempo para que o tráfego pelo estreito retorne aos níveis pré-guerra — já que ainda é preciso garantir o acesso seguro e remover as minas —, houve sinais imediatos de um impacto.

Navios que antes poderiam ter ocultado suas posições desligando seus transponders agora estavam transmitindo suas localizações, prontos para atravessar o estreito.

Os preços de referência dos futuros do ‌petróleo Brent caíram mais 2%, ficando abaixo de US$78 o barril, o menor nível desde o início dos ‌ataques.

Publicidade

O memorando entre EUA e Irã ⁠dá início a um ⁠período de negociação de 60 dias para se chegar a um acordo definitivo para a guerra, que Trump iniciou ⁠em fevereiro ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

MEMORANDO ‌EXIGE FIM DA GUERRA NO LÍBANO

Mas ‌Israel, que lançou uma invasão do Líbano em março e, desde então, tomou uma grande faixa do sul do Líbano em sua perseguição aos militantes do Hezbollah que abriram fogo através da fronteira em apoio ao Irã, foi excluído das negociações.

O Irã sempre afirmou que qualquer acordo ⁠de paz precisa abranger também o Líbano. Em uma aparente concessão significativa ao Irã, o memorando assinado por Trump exige explicitamente o "fim definitivo" da guerra no Líbano e que sua "integridade territorial e soberania" sejam garantidas.

Com o Líbano entre as questões mais delicadas dos esforços de paz, Trump, nos últimos dias, passou a criticar abertamente as operações de seu aliado no ‌país, acusando Israel de destruir desnecessariamente prédios inteiros para atingir combatentes do Hezbollah.

Publicidade

Duas autoridades israelenses, incluindo uma autoridade de alto escalão próxima a Netanyahu, disseram à Reuters na quinta-feira que Israel estava ⁠mantendo negociações com os Estados Unidos, pois busca continuar com o destacamento de tropas no sul do Líbano.

Embora os combates no Líbano tenham diminuído no início desta semana, quando Trump anunciou pela primeira vez que o acordo havia sido alcançado, eles se intensificaram nos últimos dias e continuaram na manhã de quinta-feira, após a assinatura de Trump.

A mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos e fogo de artilharia atingindo cidades no sul, matando pelo menos uma pessoa dentro de um carro. Repórteres da Reuters ouviram um drone israelense voando baixo sobre Beirute e seus subúrbios ao sul.

"O Irã e os norte-americanos chegaram a um acordo. Tudo bem. No Líbano, ainda não acabou", disse Mohammed Doghman, um homem deslocado da cidade de Nabatieh, no sul, para Beirute, que estava sentado do lado de fora de sua barraca na quinta-feira, forçando a vista no celular para ler as notícias.

Publicidade

"Eles deveriam nos dar uma resposta definitiva: a guerra acabou de vez ou vamos voltar a ela novamente?"

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se