Xi ameaça Trump sobre Taiwan: 'China e EUA poderão entrar em conflito'

Casa Branca ignorou ilha em comunicado, destacando Estreito de Ormuz

14 mai 2026 - 10h02
(atualizado às 10h19)

O presidente da China, Xi Jinping, alertou seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, ao recebê-lo nesta quinta-feira (14) em Pequim: "Poderemos entrar em conflito caso a questão sobre Taiwan não seja bem administrada".

Xi recebeu Trump em Pequim nesta quinta
Xi recebeu Trump em Pequim nesta quinta
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Durante o encontro no Grande Salão do Povo, Xi frisou que "Taiwan é o tema mais importante na relação entre China e EUA" e que "se tratado adequadamente, as relações entre os dois países podem manter a estabilidade geral".

Publicidade

Caso contrário, Pequim e Washington "poderão entrar em conflito, levando toda a relação sino-americana a uma situação muito perigosa", informou a agência estatal Xinhua.

Ainda assim, Xi afirmou que deseja que 2026 seja "o ano da virada" nas tratativas entre as duas nações, que "têm mais em comum do que divergências".

Além de Taiwan, ilha com governo próprio cobiçada pela China e para a qual, os EUA venderam armamentos nos últimos meses, os chefes de Estado também discutiram "os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, além da questão na península coreana", disse o Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Da parte americana, a Casa Branca não mencionou Taipei em seu comunicado, citando apenas a "boa" conversa entre os líderes sobre economia e os principais assuntos da política internacional.

Publicidade

Mas em declaração a NBC News, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a questão sobre Taiwan permanece "invariável" por parte dos EUA depois das ameaças feitas por Xi a Trump.

"Nossa política sobre o caso [Taiwan] não mudou", falou Rubio.

Ao ignorar o alerta do mandatário chinês em sua declaração, a Casa Branca abordou outros assuntos discutidos, como a guerra em curso no Irã.

"Os dois lados concordaram sobre a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto para garantir o livre fluxo de energia.

O presidente Xi também reiterou a oposição da China à militarização do Estreito e a qualquer tentativa de impor pedágios ao seu uso, expressando interesse em comprar mais petróleo americano para reduzir a dependência da China do Estreito no futuro", disse Washington, acrescentando que Pequim concorda que "o Irã jamais deverá adquirir armas nucleares".

De acordo com a Casa Branca, Trump e Xi abordaram também "a necessidade de reforçar a cooperação econômica entre suas nações, incluindo a expansão do acesso ao mercado chinês para empresas americanas e o aumento do investimento de Pequim em nossas indústrias".

Publicidade

"Os chefes de muitas das maiores empresas americanas participaram de parte da reunião", que incluiu, entre outros nomes, o bilionário e ex-conselheiro de Trump, Elon Musk.

Para Trump, as negociações com Xi foram "extremamente positivas e construtivas". Ele disse ainda ter convidado seu homólogo em Pequim para visitar Washington em setembro.

O republicano e sua comitiva devem permanecer na China até sexta-feira (15). 

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se