A autoridade marítima iraniana responsável pelo estreito de Ormuz exigiu, na sexta-feira, que todos os navios que desejem atravessá-lo apresentem um pedido de trânsito com 48 horas de antecedência, apesar da reabertura na esteira do acordo-quadro entre Irã e Estados Unidos para pôr fim à guerra. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) também publicou um novo mapa com duas rotas "seguras" de navegação no estreito, localizadas ao sul daquelas que Teerã havia divulgado há algumas semanas.
Na sexta-feira, no fim da tarde, a plataforma de monitoramento marítimo Kpler registrou oito passagens de navios de matérias-primas pelo estreito de Ormuz, contra 22 ao longo de todo o dia anterior. Ao todo, incluindo os porta-contêineres, pelo menos 25 navios comerciais atravessaram o estreito na quinta-feira. Trata-se de um volume inédito desde meados de abril, segundo o fornecedor de dados de navegação AXSMarine.
O Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC), uma coalizão de segurança marítima formada por 47 países, reduziu na quinta-feira seu nível de risco no estreito para "moderado" (nível 2 em 5), contra "grave" no início da semana (nível 4 em 5), atribuindo essa melhora à assinatura do protocolo de entendimento entre Irã e Estados Unidos. "No entanto, os navegadores devem ser informados sobre a presença de minas", enquanto as operações de retirada destes armamentos continuarem, informou o JMIC em nota.
Na quinta-feira, pela primeira vez desde o início do conflito, a Marinha do Paquistão, que coordena a difusão de avisos de segurança marítima na região do estreito, informou sobre a presença confirmada de uma mina naval, a quatro quilômetros da costa de Omã. A Marinha recomenda aos navios na área que naveguem "com extrema prudência".
Incerteza
Desde domingo (14), dia do anúncio de um acordo-base entre Teerã e Washington, cerca de 50 navios comerciais entraram ou saíram do Golfo, contra cerca de 600 no mesmo período de junho de 2025. O total pode ser maior, já que algumas embarcações desligam ou manipulam os sinais de seus transponders AIS para evitar serem detectados durante a travessia.
O pico de quinta-feira ocorreu após a assinatura do protocolo de entendimento entre Estados Unidos e Irã na quarta-feira e a suspensão, na quinta-feira, de um bloqueio aos portos iranianos, imposto por Washington desde 13 de abril em resposta ao fechamento do estreito de Ormuz por Teerã. No entanto, as negociações previstas para sexta-feira na Suíça, que deveriam dar início a um processo de 60 dias para resolver a questão central do programa nuclear iraniano, foram adiadas por tempo indeterminado, o que lança incerteza sobre a situação marítima na região.
(Com agências)