Segundo Gilles Pécout, diretor da BnF, trata-se de uma "descoberta importante, reconhecida por especialistas". O documento oferece vestígios do "jovem professor Mozart em diálogo com sua aluna" e também registra a "última estadia do músico em Paris", em 1778.
O caderno contém uma dúzia de "lições de composição" do austríaco, que viveu no século XVIII, entre 1756 e 1791.
O compositor ministrava aulas "diariamente" em Paris, entre maio e julho de 1778, para "Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, filha do Duque de Guînes e excelente harpista", explicou François-Pierre Goy, curador do departamento de música da BnF responsável pela descoberta.
As 44 páginas incluem também "sete peças para flauta e harpa", a última delas inacabada, detalhou Goy à AFP ao apresentar o precioso documento, que se encontra bem preservado.
Essas peças foram compostas em conjunto, sempre "partindo de uma ideia proposta por Mozart", segundo a BnF. No final, "as mãos do mestre e da aluna" se misturam nelas "em proporções variadas".
Descoberto em 2 de fevereiro, em meio a um lote de manuscritos anônimos do acervo da BnF, o caderno foi examinado por especialistas, e sua autoria foi confirmada no fim de abril pela Bibliotheca Mozartiana do Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do músico.
Concerto
No domingo, dia da Festa da Música, quando a França celebra o começo do verão no hemisfério norte com shows e concertos em todo o país, as sete peças inéditas serão executadas pela primeira vez por dois músicos da Orquestra Filarmônica da Radio France, Mathilde Calderini (flauta) e Nicolas Tulliez (harpa), diante de um público convidado na BnF.
As peças, com duração total de aproximadamente 20 minutos, foram gravadas nesta semana e serão transmitidas na segunda-feira pela France Musique.
O manuscrito original será apresentado ao público durante o concerto de domingo.
Com AFP