Metade da França está sob alerta laranja, o segundo mais grave. Uma situação que exige precauções no trabalho e no setor da educação levou ao adiamento das provas orais do baccalauréat — o equivalente à prova do Enem na França — de milhares de estudantes do ensino médio, em Bordeaux, Poitiers (oeste), Lyon (centro-leste), Montpellier (sul) e Normandia (norte).
Até o final da tarde desta sexta-feira (19), 784 escolas e colégios, entre os 60 mil estabelecimentos de ensino da França, haviam anunciado mudanças no horário de funcionamento ou fechamentos temporários. Esse número inclui cerca de 150 instituições que resolveram interromper todas as atividades até o final desta onda de calor.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu anunciou que ativará no sábado o Centro Interministerial de Crise do Ministério do Interior. Já o presidente Emmanuel Macron pediu "grande vigilância" e um cuidado maior com os idosos e pessoas mais vulneráveis nestes "dias difíceis".
O episódio de calor promete ser "amplo, duradouro e intenso", advertiu a agência nacional de meteorologia Météo‑France. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, alguns departamentos podem passar para o "alerta vermelho à onda de calor" a partir de domingo, para quando há previsão de 40°C durante o dia e temperaturas próximas de 30°C durante a noite.
Nos serviços de emergência hospitalar, "reforços de equipes" são previstos "caso a caso", segundo a ministra da Saúde, Stéphanie Rist. "Sabemos que haverá mais ligações para o Samu" e "mais pessoas que podem passar mal e ir às emergências", afirmou ela ao canal LCI.
No ambiente profissional, "as empresas devem tomar medidas" para proteger seus funcionários expostos, lembrou o ministro do Trabalho, Jean‑Pierre Farandou, na rádio RMC. Segundo ele, para trabalhadores que exercem suas funções ao ar livre é "obrigatório" adaptar os horários de trabalho ao calor intenso.
As altas temperaturas na França também colocam em risco a tradicional Festa da Música, prevista para domingo, que festeja com shows e apresentações ao ar livre a chegada do verão ao Hemisfério Norte. Várias cidades do interior do país cancelaram eventos. Em Paris e arredores, a Secretaria de segurança Pública pediu o cancelamento de 11 competições esportivas ao ar livre.
40°C na Espanha, Portugal e Itália
A agência meteorológica da Espanha, a Aemet, já colocou várias regiões do país sob alerta amarelo devido a um 'aumento notável' nas temperaturas. O nordeste do país também deve enfrentar chuvas e tempestades.
Segundo os meteorologistas espanhóis, Sevilha, Córdoba (sul) e Saragoza (nordeste) serão as cidades mais afetadas, com temperaturas chegando perto dos 40 °C na próxima semana. Também são esperadas as chamadas "noites tropicais", quando a temperatura não cai abaixo de 20 °C em um período de 24 horas.
Em Portugal, sete regiões estarão sob alerta para o calor a partir de sábado. As localidades que mais devem sofrer com altas temperaturas são Douro, Tagus e Alentejo, onde os termômetros podem ultrapassar 40°C.
Na Itália, as temperaturas devem chegar a 39 °C neste fim de semana nas regiões da Toscana e Lazio (centro) e Emilia-Romagna (norte). Os meteorologistas italianos alertam que o ar quente proveniente da África do Norte avançará sobre o país, onde algumas cidades, como Florença, marcarão além de 40°C.
Na Bulgária e na Romênia as temperaturas também devem se aproximar dos 38 °C. Já no Reino Unido, elas devem ficar entre 27 °C e 32 °C no sul da Inglaterra ao longo do fim de semana, o que pode desencadear algumas tempestades. No início da próxima semana, existe a possibilidade de que as temperaturas subam ainda mais e alcancem a faixa dos 30 °C também no País de Gales por alguns dias.