Segundo boletim divulgado às 16h pela Météo-France, a agência de previsão meteorológica do país, a área afetada se estende da região de Paris até Puy-de-Dôme e Haute-Savoie, onde ocorre a cúpula do G7. "As temperaturas estão subindo em todo o país dia após dia até o final da semana", alertou a agência. Na quarta-feira, os termômetros já marcaram 37,3 °C em algumas cidades.
A chegada de uma nova massa de ar quente prevista para o fim de semana deve acentuar o fenômeno. Do oeste da França ao Vale do Ródano - incluindo a região da Île-de-France, onde fica a capital - os termômetros podem atingir ou ultrapassar os 40 °C no domingo (31), data da tradicional Festa da Música, e na segunda-feira.
Em Paris, medidas emergenciais começam a ser adotadas. A prefeitura autorizou, a partir da quarta-feira, o banho em um trecho do canal Saint-Martin, na zona leste, como forma de oferecer à população uma "fonte de frescor" diante do aumento das temperaturas.
Atrasos em trens
O impacto do calor já se faz sentir também na infraestrutura. A SNCF, empresa estatal de ferrovias, cancelou diversos trens previstos para quinta e sexta-feira, prevendo falhas nos sistemas de ar-condicionado.
O calor extremo também afeta o ambiente natural: aves e pequenos mamíferos encontram dificuldades para regular a temperatura corporal, especialmente em um período sensível como a primavera, época de reprodução. "É uma fase crítica", explica o ornitólogo Grégoire Loïs, do Museu Nacional de História Natural. "Uma onda de calor extrema em setembro não tem o mesmo impacto que uma em maio ou junho", ressalta.
"Assassino silencioso"
A imprensa francesa destaca a gravidade e a recorrência desses episódios. Le Parisien enfatiza o caráter excepcional da onda de calor, com possibilidade de quebra de recordes históricos, sobretudo em grandes centros urbanos como Paris, onde as temperaturas noturnas também seguem elevadas, agravando o desconforto térmico.
Já o Libération insere o fenômeno no contexto mais amplo das mudanças climáticas, classificando o calor como um "assassino silencioso" e abordando os riscos à saúde pública. O jornal também destaca fatores agravantes, como o ressecamento dos solos, e acompanha as medidas das autoridades, que podem incluir restrições a eventos e alertas sanitários.
Le Monde, por sua vez, articula dados técnicos com os impactos econômicos e sociais do episódio. A onda de calor, que deve se estender por praticamente todo o território francês ao longo da semana, já provoca efeitos no calendário escolar, na produção de energia e na biodiversidade, além de mobilizar ações do governo.
Especialistas apontam que o episódio não é isolado. "Estamos enfrentando ondas de calor cada vez mais frequentes, numerosas e intensas, um sinal claro da mudança climática", afirma Matthieu Sorel, climatologista da Météo-France. Segundo ele, o evento atual se insere em uma tendência de longo prazo, marcada pela antecipação e intensificação desses fenômenos extremos.
Com RFI e AFP