UE fecha acordo comercial provisório com EUA sob pressão de Trump

Compromisso busca evitar novas ameaças tarifárias do líder norte-americano

20 mai 2026 - 12h29
(atualizado às 13h25)

Representantes do Parlamento Europeu e dos 27 países da União Europeia chegaram nesta quarta-feira (20) a um acordo provisório para implementar um tratado comercial firmado com os Estados Unidos, segundo anúncio da presidência cipriota do bloco.

UE estava sendo pressionada por republicano
UE estava sendo pressionada por republicano
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com o comunicado, o Conselho e o Parlamento Europeu aprovaram a aplicação das disposições tarifárias previstas na Declaração Conjunta UE-EUA, adotada em 21 de agosto de 2025.

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O entendimento busca destravar a fase final de implementação do pacto, que havia enfrentado atrasos e tensões políticas.

O acordo comercial, concluído inicialmente entre o bloco europeu e Washington em julho do ano passado, estabelece tarifas médias de 15% sobre a maioria dos produtos europeus exportados para os Estados Unidos.

No entanto, a versão final do texto ainda não havia sido formalmente ratificada pela União Europeia, o que gerou crescente impaciência por parte do presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou a ameaçar impor novas tarifas caso o processo não fosse concluído até 4 de julho.

Em meio às negociações, representantes do Parlamento Europeu e dos Estados-membros trabalharam até altas horas da noite para superar divergências internas e alcançar um consenso.

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"Hoje, a União Europeia está cumprindo seus compromissos", afirmou o ministro cipriota de Energia, Comércio e Indústria, Michael Damianos, destacando a importância de uma parceria transatlântica "estável, previsível e equilibrada".

Segundo autoridades europeias, o acordo coloca o bloco no caminho para cumprir o prazo exigido por Washington e pode encerrar um período de mais de um ano de disputas comerciais entre as duas potências.

Caso o prazo não fosse respeitado, Trump havia advertido que as tarifas poderiam ser elevadas significativamente, incluindo aumentos sobre automóveis e caminhões europeus.

O pacto assinado em Turnberry, na Escócia, entre o próprio Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prevê ainda ajustes em setores sensíveis como aço e alumínio. Uma das cláusulas negociadas estabelece prazos para a redução de sobretaxas norte-americanas acima de 15% sobre componentes industriais.

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Entre os pontos de maior debate estiveram mecanismos de salvaguarda e cláusulas de revisão do acordo. O Parlamento Europeu chegou a reduzir exigências iniciais, incluindo mudanças em dispositivos que condicionavam a aplicação do pacto ao cumprimento integral imediato das obrigações por parte dos Estados Unidos.

Em reação ao avanço do acordo, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o entendimento "demonstra seriedade e confiabilidade" da Europa e reforça a estabilidade econômica das empresas exportadoras.

Apesar do progresso, o texto ainda prevê mecanismos de controle caso haja aumento excessivo de importações que possa prejudicar a indústria europeia, incluindo o setor agrícola. A Comissão Europeia poderá abrir investigações e monitorar trimestralmente os fluxos comerciais relacionados ao acordo. 

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