Um tribunal de apelações de Roma confirmou nesta quarta-feira (20) a sentença de oito meses de prisão imposta ao ex-subsecretário de Justiça da Itália Andrea Delmastro por divulgação de segredo de ofício.
O ex-integrante da gestão Giorgia Meloni foi condenado por ter divulgado o conteúdo de documentos sobre o processo do anarquista Alfredo Cospito, preso no regime 41-bis (isolamento total no cárcere) na prisão de Sassari, mesmo sabendo que estavam sob sigilo.
Delmastro foi novamente considerado culpado por repassar informações reservadas ao deputado Giovanni Donzelli, também membro do Irmãos da Itália (FdI) e vice-presidente do Comitê Parlamentar para Segurança da República (Copasir), responsável pela supervisão dos serviços de inteligência italianos.
Segundo as autoridades, à época, os dois políticos moravam juntos, e as informações acabaram sendo divulgadas posteriormente no Parlamento.
O caso remonta a janeiro de 2023, quando Donzelli afirmou durante sessão parlamentar que Cospito ? então em greve de fome contra o regime prisional conhecido como 41 bis ? teria conversado com chefes da máfia sobre a possibilidade de abolir o sistema de detenção. O regime 41 bis é aplicado principalmente a mafiosos considerados de alta periculosidade.
Na ocasião, Donzelli também revelou que quatro parlamentares do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, visitaram Cospito na prisão. O anarquista cumpre pena de 30 anos por um atentado em Fossano, no qual dois carabineiros ficaram feridos, além de ter baleado no joelho um executivo do setor nuclear em 2012.
Durante o debate político, Donzelli questionou se o PD estava "do lado do Estado ou da máfia e dos terroristas", provocando forte reação da oposição.
Delmastro ampliou a controvérsia ao afirmar que os deputados do PD aceitaram a exigência de Cospito de se reunir também com outros detentos submetidos ao 41 bis, incluindo dois chefes mafiosos.
Após a condenação em primeira instância, em fevereiro do ano passado, Delmastro declarou esperar absolvição na apelação e afirmou que não deixaria o cargo. No entanto, ele acabou entre os três integrantes do governo afastados por Meloni após a derrota da coalizão governista em um referendo sobre reforma da Justiça realizado em março, considerado o primeiro grande revés político da premiê desde que assumiu o governo.
Além de Delmastro, também deixaram seus cargos a chefe da Casa Civil do Ministério da Justiça, Giusi Bartolozzi, e a então ministra do Turismo, Daniela Santanchè.