O caso dos cinco mergulhadores italianos que morreram durante uma expedição em uma caverna submarina nas Maldivas ganhou novos contornos após a recuperação dos últimos corpos e o avanço das investigações sobre o acidente. As autoridades locais trabalham com diferentes hipóteses para explicar a tragédia, entre elas falha na mistura de oxigênio dos cilindros, correntes marítimas intensas, desorientação dentro da caverna e mergulho além da profundidade considerada segura.
Os corpos dos dois últimos desaparecidos foram encontrados nesta quarta-feira no atol de Vaavu, encerrando uma operação de resgate marcada por condições extremas e pela morte de um militar das Forças de Defesa das Maldivas, vítima de complicações de descompressão durante as buscas.
O grupo desapareceu na última quinta-feira durante uma expedição próxima à região de Alimathaa, conhecida pelos recifes de coral e pelas cavernas submersas exploradas por mergulhadores experientes. Segundo informações da imprensa local, os cinco turistas estavam a bordo do iate de luxo Duke of York, operado pela empresa Luxury Yacht Maldives, e participavam de uma atividade ligada ao turismo científico e ao monitoramento ambiental marinho.
A tripulação acionou as autoridades após os mergulhadores não retornarem à superfície no horário previsto.
Embora a causa oficial das mortes ainda não tenha sido divulgada, investigadores avaliam a possibilidade de problemas técnicos nos cilindros utilizados durante a imersão. Em mergulhos profundos, alterações inadequadas na mistura de gases podem provocar perda de consciência, confusão mental e dificuldades respiratórias graves.
Outra hipótese considerada é a ocorrência de correntes térmicas repentinas dentro da caverna submarina. Mudanças bruscas na temperatura e na intensidade das correntes podem desorientar mergulhadores mesmo experientes, principalmente em ambientes fechados e com baixa visibilidade.
As autoridades também investigam se o grupo ultrapassou o limite normalmente recomendado para mergulho recreativo na região. Embora as Maldivas permitam atividades em profundidades de até 30 metros, os corpos foram encontrados a cerca de 50 metros abaixo da superfície, o que levanta suspeitas de uma incursão mais profunda do que a informada inicialmente.
Outro ponto analisado é a possibilidade de os mergulhadores terem perdido a orientação dentro das fissuras da caverna. Estruturas subaquáticas desse tipo costumam apresentar corredores estreitos e saídas difíceis de identificar, aumentando o risco de aprisionamento ou falta de ar.
Entre as vítimas estava Monica Montefalcone, professora de Ecologia da Universidade de Gênova e referência internacional em pesquisas ambientais marinhas. Ela participava de projetos científicos voltados ao monitoramento ecológico das Maldivas.
Também morreram sua filha, Giorgia Sommacal, de 23 anos; a pesquisadora Muriel Oddenino; e os instrutores de mergulho Gianluca Benedetti e Federico Gualtieri. Benedetti era diretor da agência Albatros Top Boat, especializada em excursões científicas no atol.
Gualtieri havia concluído recentemente sua graduação na Universidade de Gênova e citou Montefalcone em sua tese acadêmica como uma das principais responsáveis por incentivá-lo na carreira ligada ao mergulho científico.
As investigações continuam e devem analisar equipamentos, rotas da expedição e as condições climáticas registradas no momento do acidente.