Donald Trump afirmou estar em fase de decisão sobre possíveis ações contra o Irã, oscilando entre sanções, negociações diplomáticas e um eventual ataque militar, enquanto Teerã ameaça retaliar bases americanas irrestritamente se for alvo de ofensivas. Paralelamente à escalada de tensões no Oriente Médio, que envolve ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, o líder norte-americano declarou abertura para dialogar com o presidente iraniano e assegurou ter um pacto de não agressão com o grupo iemenita.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (20) que está avaliando os próximos passos em relação ao Irã e declarou que "coisas muito importantes" devem acontecer em um futuro próximo.
Em entrevista à Fox News, o republicano também disse estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
"Minha pergunta é: se e quando eu destruirei a nação inteira? É melhor eles se comportarem", afirmou Trump, que não estabeleceu um prazo para uma eventual ação.
Segundo a Fox News, o republicano disse estar em uma "fase de tomada de decisão" e mencionou diferentes possibilidades, entre elas um ataque ao Irã, a manutenção de pressão econômica ou a negociação de um acordo.
A declaração ocorre em meio ao temor de uma retomada dos bombardeios americanos em larga escala contra o Irã.
Mais cedo, Teerã disse que, caso seja novamente atacado, retaliará "sem qualquer limitação" contra bases dos Estados Unidos e poderá responsabilizar países do Oriente Médio que permitirem operações americanas a partir de seus territórios.
Trump também comentou a possibilidade de negociações, destacando que algumas autoridades iranianas que poderiam participar das tratativas estariam escondidas, o que, em sua avaliação, dificultaria o início de conversas diretas.
Ontem (19), o Irã informou que havia enviado aos Estados Unidos uma nova lista de exigências para o encerramento do conflito.
Na ocasião, Trump acrescentou que "provavelmente estaria aberto" a se encontrar com Pezeshkian durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na próxima semana.
Em outra declaração à Fox News, Trump afirmou que os houthis, grupo que controla grande parte do território do Iêmen e é aliado do Irã, concordaram em não atacar os Estados Unidos.
O correspondente Trey Yingst relatou que, segundo o republicano, Washington mantém "comunicação constante" com os houthis e que o grupo teria concordado em "não lutar contra" o país.
A declaração ocorre enquanto aumentam as hostilidades entre os houthis e a Arábia Saudita, aliada de Washington. O Departamento de Estado americano advertiu que o conflito tem potencial para "escalar rapidamente".
O alerta foi emitido após um ataque com mísseis contra Riad, descrito como o primeiro desse tipo desde a retomada do conflito no Iêmen.
Fortes explosões foram registradas na capital saudita no sábado, e jornalistas internacionais relataram ter visto um depósito de combustível da Aramco em chamas nas proximidades do aeroporto.
Diante da escalada, o Departamento de Estado recomendou que cidadãos americanos fora do Oriente Médio reconsiderassem seriamente viagens para ou através da região.
Paralelamente, em meio ao agravamento das tensões, Trump interrompeu no sábado sua estadia de fim de semana em Camp David, complexo presidencial localizado em Maryland, e retornou antecipadamente à Casa Branca. No entanto, a presidência não apresentou uma explicação pública para a mudança de agenda.
Nas últimas semanas, a ofensiva dos houthis provocou centenas de mortes e, segundo a agência da ONU para refugiados, deslocou mais de 110 mil pessoas. A violência também afetou as exportações de petróleo sauditas e o tráfego marítimo regional.
Segundo o portal americano Axios, os Estados Unidos rejeitaram na semana passada um pedido saudita para atacar os houthis.
Posteriormente, Washington aprovou uma venda de 48 caças F-35 à Arábia Saudita, avaliada em US$ 24,3 bilhões.
Também neste domingo, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se no Cairo com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, em uma visita considerada incomum.
Segundo comunicado da Presidência egípcia, Al-Sisi destacou durante o encontro "a importância primordial de resolver as crises regionais por meios políticos e diplomáticos".
A visita ocorreu poucos dias depois de o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, viajar ao Cairo. Em encontro com Al-Sisi, os dois defenderam a garantia de passagem segura pelo estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem marítima é uma das principais rotas para o transporte de energia e mercadorias entre o oceano Índico e o Mediterrâneo.
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