O governo do Irã classificou como ilegal a decisão da França de expulsar dois diplomatas iranianos. A medida francesa ocorreu em resposta ao veto de Teerã ao retorno de dois diplomatas franceses, detidos brevemente em julho sob acusação de ingerência. Enquanto a França denuncia agressões e intimidações contra seus funcionários, as autoridades iranianas negam a violência e acusam Paris de conduzir ações que ameaçam a independência e a segurança do país.
"O gesto da França é uma medida ilegal, em resposta a uma ação judicial legítima do Irã, e não contribui em nada para melhorar as relações bilaterais", declarou nesta segunda‑feira o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaïl Baghaï, durante a coletiva de imprensa semanal.
Na semana passada, o ministério iraniano havia informado que comunicou à França que dois diplomatas franceses, detidos brevemente em Teerã em julho por "ingerência", antes de deixarem o país, não seriam autorizados a retornar ao Irã.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean‑Noël Barrot, afirmou em seguida que dois diplomatas iranianos na França seriam expulsos "nos próximos dias".
Antes disso, em 20 de julho, Barrot havia denunciado "uma ação de intimidação extremamente grave por parte dos serviços de segurança iranianos" contra os dois diplomatas, dizendo que um deles havia sido "agredido".
As autoridades iranianas negaram a agressão, afirmando que os diplomatas foram apenas "brevemente interrogados" pelos serviços de segurança, após participarem de uma "reunião com várias pessoas procuradas pelas autoridades".
O Serviço de Inteligência iraniano acusou então a França de conduzir "um amplo projeto de influência" no Irã e de "preparar o terreno para uma ação francesa contra a independência" do país.
Com AFP