O Paquistão afirmou ter lançado ataques contra alvos militantes no Afeganistão após atribuir os recentes atentados suicidas — incluindo ataques durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã — a combatentes que, segundo o país, operavam a partir do território de seu vizinho.
Mulheres e crianças estavam entre os dezenas de mortos e feridos nos ataques de sábado, afirmou o Taliban, grupo governante do Afeganistão, em declarações que a Reuters não pôde verificar. O Ministério da Defesa do país prometeu responder.
Os ataques marcam uma forte escalada nas tensões, poucos dias depois de Cabul ter libertado três soldados paquistaneses numa iniciativa mediada pela Arábia Saudita para acalmar as relações, após meses de confrontos ao longo da fronteira.
O Ministério da Informação do Paquistão disse neste domingo que os ataques envolveram "o direcionamento seletivo, com base em inteligência, de sete campos e esconderijos terroristas" ao longo da fronteira afegã pertencentes ao Taliban paquistanês e à Província do Estado Islâmico de Khorasan.
Ele acrescentou que tem "provas conclusivas" de que os ataques anteriores em solo paquistanês foram levados a cabo pelos Khwarij — o seu termo para os talibans paquistaneses — agindo sob instruções da "sua liderança e manipuladores baseados no Afeganistão".
Cabul negou repetidamente ter permitido que militantes usassem o território afegão para lançar ataques no Paquistão.
O Ministério da Defesa do Afeganistão condenou o que chamou de violação flagrante da soberania e violação do direito internacional, alertando que "uma resposta adequada e ponderada será dada no momento oportuno".