As autoridades de Mônaco e da França intensificaram a busca pela principal suspeita de participar do atentado a bomba contra a residência do oligarca ucraniano Vadim Ermolaev e sua família, ocorrido na última segunda-feira (29) no Principado.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (3) pelo jornal francês Le Parisien, os investigadores acreditam que a mulher fugiu inicialmente para a França e, em seguida, cruzou a fronteira italiana em Ventimiglia rumo à Suíça.
De acordo com a reconstrução feita pelas polícias monegasca e francesa, a suspeita caminhou até a cidade de Beausoleil, na fronteira com Mônaco, onde recuperou um veículo previamente estacionado. O automóvel havia sido registrado e alugado na Alemanha.
A partir de lá, ela teria seguido em direção à fronteira italiana, provavelmente pela região de Menton, na França.
A suspeita foi identificada como Anastasiia Berezovska, uma cidadã ucraniana de 39 anos residente em Frankfurt, na Alemanha.
Conforme fontes da investigação citadas pela imprensa francesa, ela seria conhecida pelas autoridades por supostas ligações com o crime organizado.
Em uma operação feita em sua residência na Alemanha, os investigadores constataram que ela não estava no local.
Inicialmente, as autoridades acreditavam que o autor do atentado era um homem, descrito como alguém vestindo jaqueta preta, boné escuro e calça jeans clara.
A linha de investigação mudou após o depoimento de uma testemunha que viu a suspeita nas proximidades da residência de Ermolaev pouco antes da explosão.
Segundo investigadores, a mulher teria utilizado disfarces para aparentar ser um homem durante a ação.
A Procuradoria-Geral de Mônaco informou que a Interpol emitiu um alerta vermelho internacional para localizar e prender a ucraniana. A operação mobiliza forças policiais de diversos países europeus e aponta que "os fatos parecem indicar que a suspeita não agiu sozinha".
Berezovska é procurada por "tentativa de homicídio, colocação de dispositivo explosivo em via pública com intenção criminosa e associação criminosa".
As autoridades afirmam que conseguiram reconstruir praticamente todo o trajeto percorrido pela suspeita após o atentado graças à análise de imagens captadas por câmeras de vigilância instaladas em vias públicas e estabelecimentos privados no Principado.
A explosão ocorreu por volta das 21h (horário local) em um prédio residencial em Mônaco, próximo à fronteira com a França, e deixou o oligarca e outras duas pessoas feridos.
O jornal Le Figaro informou que as câmeras de segurança registraram a suspeita deixando o pacote-bomba no hall de entrada da residência de Ermolaev. Após a ação, ela foi filmada fugindo em direção à fronteira francesa.
Considerado um dos empresários mais ricos da Ucrânia, Ermolaev atua principalmente nos setores imobiliário e financeiro, com destaque para investimentos na cidade de Dnipro.
Morador de Mônaco, ele foi incluído, em 2023, na lista de sanções do governo ucraniano por decreto assinado pelo presidente Volodymyr Zelensky.
As autoridades de Kiev o acusam de manter atividades comerciais relacionadas ao setor de bebidas alcoólicas na Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014, o que, segundo o governo ucraniano, configuraria colaboração econômica com a ocupação russa. Ermolaev nega as acusações.