Secretário‑geral da ONU pede 'solução diplomática' para encerrar guerra entre Israel e Hezbollah

O secretário‑geral da ONU, Antonio Guterres, defendeu neste sábado (14) uma solução diplomática para encerrar o conflito entre Israel e o movimento pró‑Irã Hezbollah no Líbano. "Não há solução militar, apenas diplomacia e diálogo", disse Guterres em entrevista coletiva em Beirute. Ele afirmou que está fazendo "o possível para obter uma redução imediata da tensão e o fim dos combates".

14 mar 2026 - 14h43

O secretário-geral da ONU também pediu à comunidade internacional que fortaleça seu "compromisso" com o Líbano. "Apoiem o Estado libanês e as Forças Armadas Libanesas para garantir que tenham as capacidades e os recursos necessários", afirmou.

Guterres, que chegou ao país na véspera, encontrou‑se neste sábado com o chefe do Estado‑Maior do Exército, Rodolphe Haykal, para discutir o cessar‑fogo firmado no fim de 2024 entre Israel e Hezbollah, a implementação pelo Exército de seu plano de desarmamento do grupo e a manutenção da força de paz da ONU.

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"Os ataques contra os capacetes azuis e suas posições são totalmente inaceitáveis e devem parar", afirmou Guterres.

Os bombardeios israelenses no Líbano já deixaram ao menos 826 mortos, entre eles 106 crianças, e mais de 800 mil deslocados desde o início de março, segundo o último balanço oficial divulgado no sábado.

Na sexta‑feira, disparos israelenses atingiram um quartel‑general dos capacetes azuis no sul do país, segundo a Ani. A porta‑voz da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) anunciou a abertura de uma investigação. Na semana passada, três capacetes azuis ganeses foram feridos por disparos, segundo a Finul, presente no sul do Líbano desde 1978.

O presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, pediu a Israel que aceite "discussões diretas" com o governo libanês e com os grupos que formam a sociedade e o sistema político do país. De acordo com o presidente francês, "tudo deve ser feito para impedir que o Líbano mergulhe no caos".

O Hezbollah arrastou o país para o conflito regional em 2 de março, lançando mísseis contra Israel para vingar a morte do líder supremo Ali Khamenei. Ele morreu no primeiro dia da ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã.

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O chefe da organização, Naïm Qassem, alertou na sexta‑feira que o grupo está preparado para "um confronto prolongado" com Israel e mencionou uma "batalha existencial".

Ataques atingem setor da saúde

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 17 médicos, socorristas e enfermeiros morreram neste sábado em Burj Qalawiya, no sul do país, após uma ofensiva em Sawaneh que matou dois paramédicos ligados ao Hezbollah pró‑Irã e ao aliado Amal.

No total, 31 profissionais de saúde foram mortos em 13 dias de guerra, segundo as autoridades, que acusam Israel de atacar ambulâncias e equipes de resgate durante intervenções. O Exército israelense, que afirma que o Hezbollah usa ambulâncias e instalações médicas "para fins militares", disse ter atingido membros do grupo "que transportavam foguetes para um depósito de armas" perto de Burj Qalawiya.

De acordo com a Agência Nacional de Informação (Ani), oficial, o ataque atingiu uma instalação do Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao Hezbollah, mas o grupo não confirmou a informação. Outros bombardeios israelenses ocorreram no país, deixando um morto e quatro feridos em um prédio residencial em um subúrbio ao norte de Beirute, segundo a imprensa libanesa.

Também foram constatados estragos na região de Nabaa‑Bourj Hammoud, fora dos redutos do Hezbollah no sul de Beirute. Levon Ghazalian, 42, morador de um prédio vizinho, disse que "é a primeira vez que isso acontece" na área, poupada no conflito entre Israel e Hezbollah em 2024.

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"Todos os vizinhos estão com medo", afirmou. "Não há mais segurança. Nunca se sabe de onde virá o próximo ataque", lamentou Hanadi Hachem, que disse dormir no carro com familiares por medo dos bombardeios.

As ofensivas também atingiram um apartamento nos arredores da cidade costeira de Saida, na região de Haret Saida, provocando um incêndio, segundo um correspondente da agência AFP.

Com AFP

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