Israel e Líbano devem manter conversações diretas nos próximos dias, informou o jornal israelense Haaretz neste sábado, o que seria um marco diplomático na relação bilateral, em um momento em que Israel e o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, estão em plena guerra.
Três autoridades libanesas disseram que Beirute está formando uma delegação para conversações, mas que nenhuma data foi definida. Uma das autoridades disse que o Líbano precisa esclarecer se Israel cumprirá a exigência do presidente Joseph Aoun de um cessar-fogo total para permitir a realização de negociações.
O governo israelense não fez nenhum comentário imediato sobre a reportagem do Haaretz.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel, dizendo que pretendia vingar a morte do líder supremo do Irã. Israel respondeu com uma ofensiva que matou mais de 800 pessoas no Líbano e forçou mais de 800.000 a deixarem suas casas.
Aoun expressou a disposição do Estado para conversas diretas com Israel, buscando garantir o fim da guerra.
A disposição do Estado libanês para conversações com Israel ocorre em um momento de tensões cada vez mais fortes no Líbano sobre o status do Hezbollah como um grupo armado. Na semana passada, o governo de Beirute proibiu as atividades militares do Hezbollah. O grupo rejeitou a medida e continuou lutando, disparando centenas de foguetes contra Israel.
Uma autoridade israelense disse à Reuters na sexta-feira que a campanha contra o Hezbollah provavelmente será intensificada e continuará mesmo depois que os ataques contra o Irã diminuírem.
O Haaretz, citando duas fontes com conhecimento do assunto, disse que as negociações devem se concentrar no fim dos combates no Líbano e no desarmamento do Hezbollah.
O Haaretz informou que o genro do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner, estará envolvido nas negociações, que poderão ser realizadas em Paris ou no Chipre, com o confidente do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Ron Dermer, liderando a delegação israelense.
O funcionário libanês disse que o Líbano ainda precisa de clareza sobre a estrutura das negociações, incluindo a agenda.