Diante de um cenário classificado como extremamente perigoso pela falta de regulamentação, o governo russo pediu a retomada urgente de negociações sobre estabilidade nuclear com os Estados Unidos. O apelo surge após Donald Trump propor uma reunião em novembro com Vladimir Putin e Xi Jinping para tratar de desnuclearização. A Ucrânia criticou a iniciativa temendo o prolongamento da guerra, enquanto o Kremlin defendeu a mediação de Washington e a inclusão de Kiev nas discussões de paz.
O governo russo pediu nesta terça-feira (20) a retomada urgente das negociações com os Estados Unidos sobre estabilidade nuclear estratégica, diante do que considera um cenário "extremamente perigoso".
A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao comentar a possibilidade de uma reunião trilateral entre Rússia, Estados Unidos e China no próximo mês.
Na avaliação do Kremlin, a situação atual é "extremamente perigosa" devido à falta de uma estrutura jurídica eficaz que regulamente a questão. "É necessário iniciar as negociações", afirmou.
A possibilidade de um encontro surgiu após o presidente americano, Donald Trump, manifestar disposição para se reunir com o líder russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na China.
Segundo Trump, a reunião poderia abordar temas como desnuclearização e segurança internacional.
A proposta, no entanto, foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha. Para ele, um encontro entre os três líderes poderia encorajar Putin a prolongar a guerra.
O chanceler ucraniano defendeu, em contrapartida, que negociações envolvendo os governos de Volodymyr Zelensky, dos Estados Unidos e da Rússia poderiam contribuir para acelerar o fim do conflito.
Peskov, por sua vez, afirmou que Washington atua como mediador nas negociações para encerrar a guerra e que Moscou valoriza os esforços americanos. Segundo o porta-voz, a conclusão de um acordo de paz definitivo também depende da participação de representantes ucranianos dispostos a assumir responsabilidades.