Ormuz pode se tornar "desnecessário" em cinco anos e ser substituído por novas rotas, diz CEO do HSBC

20 out 2026 - 09h28
Resumo
Investimentos em rotas logísticas e dutos alternativos para mitigar o impacto da guerra com o Irã podem tornar o Estreito de Ormuz obsoleto em cinco anos, segundo o CEO do HSBC, Georges Elhedery. Embora o conflito ameace a passagem de um quinto do petróleo e gás global e leve o Banco Mundial a prever retração regional de 1,3% este ano, a região planeja US$ 1,4 trilhão em infraestrutura, mantendo o Golfo Pérsico atrativo para investidores que apostam em uma recuperação e expansão futuras.

O investimento em ‌rotas logísticas alternativas no Golfo Pérsico para mitigar o impacto da guerra com o Irã poderia tornar o Estreito de Ormuz "desnecessário" nos próximos cinco anos, afirmou nesta terça-feira Georges Elhedery, presidente-executivo do Grupo HSBC .

O conflito destacou a forte dependência mundial ⁠dessa via navegável estratégica, pela qual passava anteriormente um quinto ‌do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Publicidade

Isso está forçando os países do Golfo Pérsico a direcionar recursos ‌para o desenvolvimento de dutos de ‌energia até os portos, investimentos que, segundo Elhedery, permitirão ⁠que a região supere as consequências do conflito.

"Acreditamos que essa região será capaz de se recuperar e, em seguida, continuar crescendo. Isso exigirá muitos investimentos", disse o presidente-executivo do banco durante o evento HSBC Future Forum, em Dubai.

"É claro que ‌desejamos e esperamos ver uma resolução para o conflito... Mas ‌o Estreito de Ormuz, ⁠provavelmente daqui ⁠a cinco anos, pode se tornar obsoleto", acrescentou.

O Oriente Médio, o Norte ⁠da África e a ‌Turquia estão oferecendo US$872 ‌bilhões em pacotes de projetos individuais, parte de um portfólio mais amplo de infraestrutura planejado e ainda não concedido, no valor de US$1,4 trilhão, informou o HSBC em ⁠um relatório na segunda-feira, citando dados da MEED, uma plataforma de inteligência de mercado do setor de construção com sede em Dubai.

Publicidade

Enquanto isso, uma pesquisa recente do HSBC com mais de 1.600 líderes empresariais ‌e cerca de 820 investidores institucionais globais revelou que eles ainda consideram o Golfo Pérsico um polo de investimentos atraente.

No ⁠entanto, após um crescimento de 3,3% em 2025, o Banco Mundial previu na semana passada uma contração econômica de 1,3% na região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão neste ano devido à guerra. Isso deve ser seguido por uma recuperação forte, mas desigual, em 2027.

Elhedery estava entre os financistas globais que deveriam participar da principal conferência de investimentos da Arábia Saudita, que estava prevista para a próxima semana, mas foi adiada para 2027 na segunda-feira, após ataques mortais em Riad perpetrados pelos militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se